Segunda-feira, Março 13, 2006
Ramos-Horta defende participação activa dos EUA nas Nações Unidas
- 10-Mar-2006 - 19:30
O chefe da diplomacia timorense, José Ramos-Horta, apontado como candidato a secretário-geral da ONU, defendeu hoje a importância da participação dos Estados Unidos na organização, lamentando que "o anti-americanismo seja politicamente correcto".
Sem a participação activa norte-americana, as Nações Unidas não passam de um "clube de discussões" (talking shop), afirmou o chefe da diplomacia de Dili, sem confirmar, nem desmentir, que poderá ser candidato a secretário-geral da organização.
"Nunca disse que sou candidato, mas também não fiz até agora esforço para o desmentir", declarou, precisando: "Se a possibilidade se apresentar no futuro, irei ponderar".
E acrescentou: "Sempre que houver um candidato da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), terá o apoio de Timor-Leste, o que poderá acontecer no caso do ex-vice-primeiro-ministro tailandês Surakiart Sathirathai".
E mais não disse, gracejando que o cargo de secretário-geral da ONU, cheio de "desafios para os quais deve procurar soluções soluções", não é só um "salário de 400.000 dólares/ano".
José Ramos-Horta falava sobre "Os Estados Unidos e a ONU: a Parceria Indispensável", na Universidade Nova de Lisboa, conferência que foi brevemente interrompida quando, devido a uma menção elogiosa do orador à acção pró-Timor-Leste do antigo primeiro-ministro português António Guterres, uma assistente saiu bruscamente do auditório, gritando antes de bater com a porta: "António Guterres nunca mais!".
O Nobel da Paz - galardoado ex-aequo com o então bispo de Dili, D.Ximenes Belo, em 1996 - ficou momentaneamente embaraçado e justificou que fizera aquela menção numa perspectiva histórica, sem querer isolar a pessoa de Guterres.
Todavia, mais adiante, ao referir o apoio inexcedível - disse - do antigo Presidente da República Mário Soares à causa timorense, interrompeu o discurso para ironizar que não voltaria a pronunciar este nome não fosse mais gente abandonar o auditório. A mulher de Mário Soares, Maria de Jesus Barroso, estava na primeira fila da assistência.
A abrir a conferência, Ramos-Horta começou por sublinhar que não acredita no "choque das civilizações", defendendo a ONU enquanto "factor indispensável do equilíbrio regional".
Neste ponto, acentuou que "sem a participação activa dos Estados Unidos, a ONU não passa de um clube de discussões (talking- shop)".
Dando uma série de exemplos de graves crises que têm marcado a cena internacional, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor- Leste lançou a interrogação: "É possível o desdobramento da ONU nas missões de paz sem o apoio político e logístico norte-americano?".
Dois dos exemplos deixados incidiram no tsunami que devastou o sul da Ásia em Dezembro de 2004 e no terramoto no Paquistão em Outubro de 2005, desastres naturais saldados em milhares de vítimas a que os norte-americanos "foram precisamente os primeiros a acudir".
Numa alocução claramente pró-Washington, o Nobel da Paz - lamentando que "o anti-americanismo seja hoje politicamente correcto", na Europa e não só -, enalteceu, com sentido reconhecimento pelos passos dados em favor do destino timorense, a figura do antigo Presidente Bill Clinton, em contraste com a do seu antecessor, George Bush, criador da "nova ordem mundial" logo depois da Guerra do Golfo (1990).
Esta nova ordem mundial, "unilateralista", na opinião de Ramos- Horta", "não é consensual" e, daí, o imperativo da "convergência de interesses com o concerto das Nações", através de uma "agenda participada pelo secretário-geral da ONU, pelo presidente da Comissão Europeia, pelo grupo dos países mais industrializados do mundo e a Rússia (G8), e pelas chamadas potências emergentes".
O chefe da diplomacia de Dili, depois de fazer o elogio do "inesquecível amigo" brasileiro Sérgio Vieira de Mello, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos falecido em circunstâncias trágicas no Iraque, em Agosto de 2003, indicou que este organismo "perdeu a credibilidade" e, daí, ter sido proposta a sua dissolução no quadro da reforma preconizada pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Na próxima semana, em Genebra (Suíça), haverá uma sessão plenária na qual poderá ser aprovado o organismo de substituição, o Conselho dos Direitos Humanos, "bastante mais modesto em relação às expectativas", explicou o orador, insistindo na "oposição norte- americana, por motivos óbvios", concluiu.
Ramos-Horta foi apresentado pelo professor Barbedo de Magalhães, do Instituto Internacional para Estudos e Intercâmbio com a Ásia, que passou em revista o percurso de vida do Nobel da Paz, com uma experiência de mais de três décadas na ONU.
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1:04 AM
09-03-2006 15:08:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7805647
Díli, 09 Mar (Lusa) - Um grupo de professores portugueses colocados em
Timor-Leste contestou hoje as afirmações de Santana Castilho, consultor
do Banco Mundial, segundo o qual aqueles não estão preparados para
ensinarem a língua portuguesa como idioma estrangeiro.
As afirmações de Santana Castilho foram feitas numa entrevista à agência
Lusa, no passado dia 01, e na ocasião aquele professor universitário
contestou a estratégia seguida no apoio à reintrodução da língua
portuguesa em Timor-Leste, classificando como "fraquíssima a preparação
dos professores".
Santana Castilho acrescentou ainda ser "fraquíssimo" o domínio genérico
a nível do Português, "o que naturalmente cria alguma dificuldade,
alguma incoerência com a decisão de ter o Português como língua de
instrução".
Para o grupo de professores colocados em Timor-Leste, as críticas que
lhes são dirigidas por Santana Castilho são "injustas" e "lesivas",
disse à Lusa Ana Olívia Vaz falando em nome dos colegas.
Vincando que os professores colocados em Timor-Leste possuem
"habilitações profissionais, científicas e pedagógicas conferidas por
Escolas Superiores de Educação e Universidades Portuguesas", estes
manifestaram ser incorrecto afirmar-se que os docentes "por serem
jovens" - o que contestaram -, "sejam inexperientes".
A "esmagadora maioria" dos professores portugueses colocados em
Timor-Leste "tem experiência de ensino no território - quatro ou mais
anos", além da prática de ensino de parte deles em países africanos de
língua oficial portuguesa e na Europa, afirmaram.
Santana Castilho, que veio a Timor-Leste "ajudar a definir uma política
para a concepção, produção e distribuição de manuais escolares" até ao
6º ano de escolaridade, reconhece a "generosidade" dos docentes
colocados em Timor-Leste e o esforço da Cooperação Portuguesa nesta
matéria.
"O que se verifica, e estou a falar em termos genéricos, é que o domínio
do Português é manifestamente insuficiente para transmitir seja que
conceito for", acrescentou Santana Castilho na entrevista à Lusa.
O apoio à reintrodução da língua portuguesa, à capacitação institucional
e ao desenvolvimento económico e social constituem as três áreas chave
por que passa a cooperação bilateral, que este ano será de 32,6 milhões
de dólares (27 milhões de euros).
Para garantir que o Português, língua oficial de Timor-Leste a par do
Tétum, tenha a projecção que as autoridades timorenses desejam, no ano
lectivo em curso foram colocados 111 professores portugueses nos 13
distritos timorenses.
A estes há que juntar mais 170 formadores timorenses.
"Percorri o país todo e visitei muitas escolas e falei com muitas
pessoas e encontrei uma generosidade muito grande por parte dos
professores portugueses. Vi, genericamente, uma camada de professores
muito jovens, pouco experientes, que fazem e dão o seu melhor, mas que,
de facto, são pessoas com pouca experiência de ensino e sobretudo não
estão preparados para o ensino do Português como língua estrangeira,
como é o caso aqui em Timor-Leste", frisou Santana Castilho.
"É um erro enorme não prepararem os professores", salientou, defendendo
que a solução está nas dezenas de milhar de professores no desemprego em
Portugal.
Para o grupo de professores que contestou as afirmações de Santana
Castilho fica a disponibilidade "para um eventual debate e troca de
ideias", concluindo que esse encontro, a realizar-se, "enriquecerá ambas
as partes, quer no domínio pessoal quer no domínio profissional", daí
resultando uma contribuição para o projecto de reintrodução da língua
portuguesa em Timor-Leste e que permitirá "colmatar eventuais falhas",
frisaram.
EL.
Lusa/fim
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1:03 AM
Xanana Gusmão confirma visita a Angola
O Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, confirmou ontem, em Lisboa, que chega a Luanda a 19 deste mês, para uma visita de Estado de cerca de uma semana a Angola.
Xanana Gusmão confirmou o facto em declarações ao Jornal de Angola e à Rádio Nacional, à margem da cerimónia de tomada de posse de Cavaco Silva, que decor-reu ontem de manhã na Assembleia da República (Parlamento luso).
José Ramos Horta, ministro timorense dos Negócios Estrangeiros, disse que se trata de uma visita de reconhecimento pelos esforços de Angola à causa de Timor Leste.
O governante timorense e prémio Nobel da Paz recordou, a propósito, que a solidariedade de Angola para com a causa de Timor Leste ficou demonstrada, em 1999, quando da passagem de Xanana Gusmão por Luanda, onde ficou apenas três horas, pouco depois da sua libertação pela Indonésia, o Presidente Eduardo dos Santos o recebeu no Aeroporto Internacional ¿4 de Fevereiro¿ com honras de Chefe de Estado.
¿Ele regressa a Angola, agora como Chefe de Estado, com grande sentido de gratidão ao Governo e ao povo angolanos¿, disse Ramos Horta, para quem o Governo angolano nunca vacilou no seu apoio à causa timorense.
De acordo com Ramos Horta, embora seja uma visita de reconhecimento pelos esforços feitos por Angola para a libertação de Timor Leste, o Presidente Xanana Gusmão está interessado em cooperar com o país nos sectores dos petróleos e da educação.
Quanto à sua candidatura ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, apoiada por sectores importantes dos EUA e da União Europeia, Ramos Horta disse que está a reflectir seriamente sobre a questão, mas que apenas terá uma posição definitiva dentro de um dois meses, depois de auscultar em Paris, onde se desloca esta semana, e em Londres outras vozes sobre o assunto.
G.A.
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1:02 AM
08-03-2006 14:27:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7802250
EMBARGO ATÉ àS 09:00 DE 09 MARÇO Díli, 09 Mar (Lusa) - Timor-Leste é a
mais jovem nação do mundo e a mais pobre da Ásia, e a pouco tempo de
completar quatro anos de independência o retrato fixado por um relatório
da ONU mostra um país cada vez mais empobrecido.
O documento, intitulado "O caminho para sair da pobreza", indica,
designadamente, que, quatro anos depois de ver a independência
reconhecida pela comunidade internacional, metade da população de
Timor-Leste, cerca de 1 milhão de pessoas, não tem acesso a água
potável, 60 em cada mil recém-nascidos morrem antes de completarem um
ano e a esperança de vida, de 55,5 anos em 2004, continua sem dar sinais
de melhoria.
A esta realidade há que acrescentar a contínua diminuição da presença
das Nações Unidas e a progressiva redução da ajuda externa, o que leva o
relatório a observar que, se os timorenses vivem hoje, reconhecidamente,
num país "politicamente livre, continuam escravizados pela pobreza".
Com um rendimento anual "per capita" de apenas 370 dólares, que as
Nações Unidas salientam estar gradualmente a decrescer, o país possui,
todavia, os meios para inverter esta situação negativa, com as receitas
expectáveis dos recursos petrolíferos existentes no Mar de Timor.
Esses meios são garantidos pelo acordo alcançado a 12 de Janeiro passado
com a Austrália, que permite a Timor-Leste vir a receber metade dos
direitos e das taxas fiscais de uma área em que o poço mais importante,
o Greater Sunrise, dispõe de jazidas de gás e petróleo avaliadas em 30
mil milhões de dólares.
Para assegurar a exploração daquela área, os dois países acordaram em
suspender por algumas dezenas de anos a disputa fronteiriça que continua
a separá-los.
Segundo o relatório, as receitas geradas pelo petróleo e gás natural do
Mar de Timor podem contribuir decisivamente para que Timor- Leste cumpra
as metas fixadas pelas Nações Unidas nos Objectivos de Desenvolvimento
do Milénio de reduzir a pobreza em um terço até 2015.
"Face às receitas que podem ser obtidas do petróleo e do gás, (a redução
da pobreza) é técnica e financeiramente possível, pelo que seria difícil
justificar um plano que não vise alcançar esse objectivo", destaca o
relatório.
O documento refere que 80 por cento das famílias timorenses vivem da
agricultura e avança, neste particular, com algumas recomendações.
A criação de um Banco de Desenvolvimento Rural permitirá, por exemplo,
melhorar o acesso dos agricultores a créditos, mas torna-se entretanto
necessário proceder a uma reforma agrária, para prevenir a acentuada
degradação dos solos, conferindo a titularidade de terras como forma de
garantir a segurança aos proprietários.
A promoção de cooperativas de transportes, ligando as principais áreas
de produção aos mercados mais importantes, a melhoria da construção e a
manutenção de vias de acesso às escolas e aos centros de saúde são
outras das recomendações.
A falta de quadros, pese a progressiva criação de instituições ligadas à
administração pública, terá de ser contornada com a aposta na educação.
"Actualmente, dois terços das mulheres e metade dos homens entre os 15 e
os 60 anos são analfabetos. Estas estatísticas melhorariam se mais
crianças tivessem acesso à educação formal", sublinha o relatório da
ONU, que calcula entre 10 e 30 por cento o total das crianças em idade
escolar que não frequentam qualquer estabelecimento de ensino.
EL.
Lusa/Fim
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1:01 AM
Letters to the Editor
Live language
Sir, If anything will offer welcome exposure to Brazil, it is not state visits, but rather, its language (leading article, Mar 6). Portuguese is far more widely spoken than French, German or Italian but is hardly taught in schools in this country, unlike Spanish or even Chinese.
Rather than bemoaning the decline in the popularity of dead languages like Latin, should we not be offering young people a greater choice of living ones?
KEN WESTMORELAND
Croydon, Surrey
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1:01 AM
Emerging giant
A state visit that will offer welcome exposure to Brazil
Most Britons are more interested in Brazil¿s standing in the World Cup than they are in that nation¿s standing in the world. Yet this huge country, by far the largest in Latin America and ¿ with its population of more than 180 million ¿ the fifth largest in the world, is one of the most important of the emerging economies. The state visit this week of Brazil¿s President, Lula da Silva, offers welcome exposure to a far too underreported location.
Latin America, once a region of autocratic generals, has been embra-cing democracy for years. Senhor da Silva¿s victory in 2002 was a landmark for the Centre Left. He fought his campaign as a radical populist, but in power has proved to be far more restrained. By contrast, Hugo Chávez in Venezuela has chosen to be a populist firebrand. The new President of Boli-via, Evo Morales, may yet follow suit. Both of them, bizarrely, appear to look to Fidel Castro¿s Cuba as a role model. It is to Senhor da Silva¿s credit that he has eschewed that lazy route to popularity in favour of sound stewardship of the economy and political moderation.
Under Senhor da Silva, significant amounts of debt have been paid off. Within the next two years, Brazil will owe the International Monetary Fund nothing. Tight fiscal targets have been met, the country has a healthy trade surplus and inflation has been tamed. The reward has been robust job creation, higher wages and an improved international rating for Brazil¿s remaining debt. For the first time in the country¿s history, the economy will not be a burning issue in this year ¿s election campaign. Meanwhile, the President¿s pioneering anti-poverty programme, the Family Purse, is being used as an exemplar by the World Bank.
By the standards of other emerging economies, Brazil¿s growth rate, averaging around 2.6 per cent over the past three years, is disappointing. But, to his credit, the President has insisted that steady, sustainable growth, based on investment, fiscal prudence and greater social equality, offers a far better long-term prospect for lifting millions out of poverty than the bust-prone bubbles of the past. And Brazil sensibly remains committed to Mercosur, the regional common market.
Senhor da Silva is not without his problems. A corruption scandal involving some of his staff has dented his popularity. Because of the high interest rates needed to conquer inflation, Brazil¿s economy has not been growing as fast as it could. But a recent opinion poll suggests that the President has edged ahead of his rivals and most analysts expect him to win a second term this October. In a politically turbulent region, that alone would be a significant achievement.
Britain should be interested in Brazil and not just when a president pays a state visit. Over the next 25 years Brazil, like others including Indonesia and Mexico, will emerge as more than a regional power. That is already clear from the crucial role that Senhor da Silva will play in the world trade negotiations. This is a nation that, if it exploits its sizeable assets smartly, will be far more than merely a football superpower.
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1:00 AM
07-03-2006 8:25:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7798036
Díli, 07 Mar (Lusa) - O actual nível de investimento permitirá que
Timor-Leste venha a ter um médico por cada mil habitantes em 2015, prevê
o ministro da Saúde timorense na sua tese de mestrado, que será editada
quarta-feira em livro, em Portugal.
No seu trabalho, "Timor-Leste - Um Sistema de Saúde na Perspectiva dos
Timorenses", Rui Araújo descreve os resultados de um estudo qualitativo
de avaliação da criação a médio/longo prazo de um sistema nacional de
saúde em Timor-Leste.
O sistema público de saúde timorense conta actualmente com 820
enfermeiros (1 por 1.200 habitantes), 292 parteiras, 164 profissionais
diversos relacionados com a saúde, todos timorenses, e 200 médicos (1
por 4.625 habitantes), dos 178 são estrangeiros.
A prestação dos cuidados de saúde no país é gratuita, tendo os gastos
entre 2001 e 2005 variado entre os 18 milhões de dólares e os 30 milhões
de dólares anuais.
Enquanto em 2001 a principal fonte de financiamento provinha de
subsídios dos parceiros de desenvolvimento, correspondendo a cerca de 80
por cento, em 2005 a quota do Estado timorense aumentou para 55 por
cento.
A resposta à falta de médicos está a ser fundamentalmente dada por Cuba,
que mantém actualmente 168 clínicos em Timor-Leste, 155 dos quais
distribuídos pelos 13 distritos do país.
Os restantes 13 estão a dar alas na recém criada Faculdade de Medicina,
na Universidade Nacional de Timor-Leste.
A edição da obra, de 352 páginas e com uma tiragem de 2.500 exemplares,
é da responsabilidade da VFBM, que edita o "Jornal do Médico de Família"
em Portugal e da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, com
o apoio da Fundação GlaxoSmithkline.
EL.
Lusa/Fim
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12:59 AM
07-03-2006 8:05:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7798038
Díli, 07 Mar (Lusa) - Portugal vai manter a sua política externa em
relação a Timor-Leste com Cavaco Silva na Presidência da República em
vez de Jorge Sampaio, considerou hoje em Díli o chefe de Estado
timorense, Xanana Gusmão.
"Portugal vai manter, com certeza, a política nacional que tem tido com
Timor-Leste. Acredito sinceramente nisso", salientou Xanana Gusmão, que
falava à partida para Lisboa, onde chefiará a delegação de Timor-Leste à
cerimónia de posse de Cavaco Silva, a realizar no próximo dia 09.
"A minha presença traduz a relação especial de Timor-Leste com
Portugal", acentuou.
A delegação timorense integra ainda o ministro dos Negócios
Estrangeiros, José Ramos-Horta.
O chefe da diplomacia timorense manterá na véspera da posse de Cavaco
Silva um encontro de trabalho com o seu homólogo português Diogo Freitas
do Amaral.
A reunião entre os MNE português e timorense visa preparar a vinda do
chefe da diplomacia portuguesa a Timor-Leste, para representar Portugal
no quinto aniversário da restauração da independência.
O quinto aniversário celebra-se a 20 de Maio, dia em que chega ao fim o
mandato da actual missão da ONU em Timor-Leste (UNOTIL), que deverá ser
substituída por um escritório de coordenação das assessorias civis a
diversos departamentos governamentais e do Estado timorense.
O presidente timorense permanecerá em Portugal até ao dia 13 de Março, e
nesse período tem marcada uma deslocação a Coimbra, a convite da
Associação Académica de Coimbra.
Em seguida, Xanana Gusmão viaja para a Suíça, onde permanecerá até ao
dia 17, devendo intervir na 60ª sessão da Comissão de Direitos Humanos
das Nações Unidas.
A 18 de Março, o presidente timorense parte para Angola, onde efectuará
de 20 a 24 a sua primeira visita de Estado àquele país africano de
língua oficial portuguesa.
Com esta deslocação a Angola, a Guiné-Bissau passará a ser o único país
africano de língua oficial portuguesa que ainda não foi visitado por
Xanana Gusmão.
O regresso a Díli está marcado para o dia 28 de Março.
EL.
Lusa/Fim
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12:58 AM
A CULTURA DA INDEPENDÊNCIA
Língua e identidade cultural em Timor-Leste
O viajante que se detiver na frente da baía de Díli pode disfrutar de uma paisagem magnífica: na direcção do mar, Ataúro, a ilha que interrrompe o horizonte; na direcção oposta, o Palácio do Governo, branco e regular, com o seu jardim fechado ao público, onde existe um pequeno monumento de homenagem ao Infante Dom Henrique (uma espécie de réplica tímida do Padrão dos Descobrimentos em Lisboa).
Hoje, se se sentar alguns minutos sobre o murete da baía, o viajante terá certamente a companhia de um timorense que se aproximará com um sorriso, ensaiando algumas palavras em português. A maior parte das vezes, o timorense esperará que seja o estrangeiro (o ¿malai¿) a falar. Para o ¿malai¿, habituado a evitar os silêncios e os vazios, isto nem sempre será confortável.
Aqui, em Timor Lorosa¿e, a língua flui de uma outra maneira, porventura com uma outra lógica, mesmo entre os mais velhos, entre aqueles que a aprenderam antes de 1974 no banco das escolas do regime colonial português. Com efeito, ainda que adoptada como uma das línguas oficiais do novo Estado (o mais jovem país do século XXI), a língua portuguesa continua a ser uma língua estrangeira. Sendo a língua do ¿outro¿, o português é a fala de um outro especial, não do australiano ou do javanês, mas sim de alguém que veio do lado de lá do mundo e a quem muitos timorenses responsabilizam por um certo abandono precipitado em 75. Mas esta língua do ¿outro¿, que é a nossa, tem surpreendentes semelhanças lexicais com o tétum, a primeira língua oficial, falada por 80% da população da jovem República Democrática de Timor-Leste.
O ambiente linguístico - indispensável para traçar o quadro da cultura timorense - afigura-se pois complexo. A respectiva complexidade aumenta quando se sabe que neste território, com cerca de 15000 km2, coexistem pelo menos dezasseis línguas diferentes. O tétum é uma delas, dividindo-se esta em tétum praça (que funciona como língua franca) e tétum téric (mais falado na montanha); além do tétum, fala-se também, por exemplo, o macassai (em Baucau), o mambai (na região montanhosa do centro), o fataluco (na ponta leste da ilha) e o baiqueno (no enclave de Oecussi). Quanto à língua indonésia, imposta brutalmente durante um quarto de século, ela perdura coloquialmente entre uma boa parte da juventude, atraída por uma cultura pop de origem javaneza, e contaminando lexicalmente o tétum praça. Ao mesmo tempo, as empresas com origem australiana aqui instaladas exigem o domínio do inglês ao timorense em busca de trabalho. Resta dizer que a noção de emprego (e por extensão, a noção económica de taxa de desemprego) não se aplica facilmente à situação de Timor. É possível que o trabalho, enquanto processo sistemático de transformação do mundo e de organização social, indispensável para obter regularmente um salário individual, seja um conceito ainda relativamente estranho na cultura timorense; mais de metade da população deste jovem país tem menos de 15 anos de idade, o que certamente ajuda a compreender a relação do timorense com o trabalho sistemático. Um outro aspecto importante para estabelecer o quadro cultural tem a ver com a omnipresença da natureza, uma natureza longe do estado domesticado dos países ocidentais, base de um fundo animista muito forte, que a Igreja Católica não conseguiu anular, não obstante o papel fundamental que tem tido na organização e na fixação dos valores morais da sociedade.
Para a jovem República de Timor-Leste, a escolha do português e do tétum como línguas oficiais constitui certamente uma opção política, um manifesto de independência face aos dois gigantescos Estados vizinhos ¿ opção oficialmente consignada, mas porventura ainda sem um desfecho claro a médio e a longo prazo. Para Portugal e para o conjunto de países de língua oficial portuguesa, a opção é honrosa, porventura interessante no teatro da geopolítica ¿ na medida em que fixa a presença do português no sudeste asiático - mas também inevitavelmente dispendiosa.
O esforço, tanto dos países da CPLP, incluindo Portugal, quanto do jovem Estado timorense, passa por fazer deslocar a língua portuguesa de uma língua do ¿outro¿, do ¿malai¿, para uma língua nossa. Como fazê-lo?
Os governantes que discursaram em frente ao Palácio do Governo, por ocasião da comemoração da Independência nacional, no dia 28 de Novembro, falaram em português para uma população mais interessada nos desfiles das forças militares e das ¿majoretes¿ do que propriamente no conteúdo dos discursos.
Ao mesmo tempo, um acontecimento como a Feira do Livro português, organizado pela Embaixada Portuguesa e pelo Centro Cultural Camões, com o apoio logístico de estudantes voluntários da Universidade Nacional de Timor Lorosa¿e, constituiu um verdadeiro êxito. Se a colaboração das editoras portuguesas poderia e deveria ter sido mais ampliada, se os autores timorenses como Luís Cardoso e Fernando Sylvan deveriam ter as respectivas obras presentes (o que inexplicavelmente não aconteceu), os preços acessíveis das obras e a preferência concedida aos autóctones na compra dos livros possibilitaram uma interessante proximidade; proximidade que de algum modo se desenrolou também com o programa de visitas a escolas e de conferências proferidas pelos autores lusófonos convidados.
Um dos momentos altos da Feira do Livro aconteceu com o lançamento da obra do historiador José Mattoso (residente em Timor desde o ano 2000), ¿A Dignidade. Konis Santana e a Resistência timorense¿. A obra, publicada pelo Círculo de Leitores em colaboração com a Fundação Mário Soares, constitui, a par com a abertura do Museu da Resistência, uma contribuição decisiva para a História recente do jovem país. Uma das questões mais interessantes, de resto colocada na sessão de lançamento do livro, tanto pelo autor, quanto pelo Presidente Xanana Gusmão, diz respeito à consciência da identidade nacional e ao modo como esta ganhou corpo durante a ocupação indonésia. Com efeito, é possível que a ocupação indonésia tenha jogado a favor da unificação dos antigos reinos (que passaram de uma rivalidade agressiva para a unidade contra o inimigo comum javanês); em consequência, as diferenças linguísticas tornaram-se secundárias e uma nova consciência de pátria emergiu, uma consciência apoiada num forte sentido de civilidade e de dignidade.
A questão linguística continua, porém, uma questão em aberto, que está longe de se resolver com eventos como a Feira do Livro português. Nesta matéria, pelas rotinas que proporcionam, é fundamental o papel que as Bibliotecas e as salas de leitura podem ter no mapa cultural de Timor e no processo de disseminação do português. A Biblioteca do Centro Cultural português, a Biblioteca do Instituto Camões, ou a Sala de Leitura Xanana Gusmão, instaladas em Díli, são diariamente frequentadas por dezenas de jovens que lêem sobretudo a imprensa portuguesa, por vezes com um mês de atraso; fora de Díli, surgem iniciativas verdadeiramente heróicas, como a pequena biblioteca de Manatuto, criada pelo professor Carlos Reis com o apoio das autoridades locais. Para além das bibliotecas, existem em Díli associações culturais e desportivas, que funcionam também como veículo do português. Assim acontece com o Centro Juvenil Padre António Vieira, sediado no bairro Taibesse, actualmente dirigido pela timorense Rosalina Dias.
Além disto está em curso uma importante investigação linguística sobre o tétum e sobre as respectivas relações com o português; 27000 termos constam do prontuário de língua tétum, sendo uma parte substancial de base lexical portuguesa. O Instituto Nacional de Linguística, dirigido pelo Reitor da UNTL, Benjamim de Araújo e Corte-Real, desenvolve a sua acção neste domínio. A instituição, que conta com o apoio oficial do Governo timorense, tem, entre outras, a vantagem de promover o trabalho de equipa, congregando esforços de investigadores como o australiano Geofrey Hull, uma autoridade internacionalmente reconhecida na padronização e fixação escrita da língua autóctone. Neste momento, prepara-se a edição de um dicionário monolingue e acaba de sair uma gramática de tétum escrita em tétum.
Uma outra organização, com o estatuto de ONG, a ¿Timor Aid¿, dirigida por Maria do Céu Lopes, tem tido o papel pioneiro de editar obras em tétum, que faz distribuir pelas escolas dos Distritos. Na verdade, um dos problemas mais complexos passa pela circulação dos bens culturais; com efeito, além da escassez de materiais escritos, avolumam-se dificuldades efectivas e físicas nos indispensáveis meios de comunicação. A produção de conteúdos, em português e em tétum, deverá ser adaptada às condições efectivas no terreno: rede telefónica parcelar, internet incipiente e genericamente com uma baixa largura de banda e más (ou péssimas) estradas. Obras bilingues como ¿O que é a Lusofonia. Gente, culturas, terras¿, preparada por um conjunto de jovens portugueses e timorenses e recentemente editada pelo Instituto Camões, constituem iniciativas meritórias que podem e devem estimular o aparecimento de outras publicações. Neste âmbito, é fundamental por exemplo que a presença da cooperação portuguesa amplie o seu conhecimento das línguas autóctones. João Paulo Esperança, docente no Departamento de Língua Portuguesa da UNTL, especialista em linguística do tétum, colaborador na imprensa local, ou Selma Silva, professora na Escola portuguesa e autora do programa ¿ondas Lusófonas¿ na Rádio e Televisão de Timor-Leste, são bons exemplos de um domínio partilhado de ambas as línguas. Já a edição de um periódico como o ¿Semanário¿, publicado em Díli, necessita urgentemente de uma revisão cuidadosa de textos.
Sem dúvida que a identidade cultural de Timor-Leste passa em grande medida por uma independência linguística na região do sudeste asiático, o que explica a opção do português e do tétum como línguas oficiais deste jovem país. Ao mesmo tempo, a cultura da independência, forjada durante os anos da resistência, terá finalmente que respeitar as singularidades de um território surpreendentemente diverso. A cultura timorense é pois, de forma mais nítida do que em outros lugares, um processo, uma missão, um esforço que decorre entre o estado de ¿Babel¿ do território e a consciência de identidade nacional.
Daniel Tércio
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12:55 AM
Textos sobre Timor e outros amores
do meu amigo João Paulo esperança
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12:51 AM
Mari Alkatiri recebe responsáveis dos EUA
2006-03-03 12:52:11
Díli - O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, recebe na próxima
segunda-feira, no Palácio do Governo, em Díli, uma delegação do
Millennium Challenge Corporation, programa do Governo dos Estados Unidos
destinado a ajudar os países em desenvolvimento.
A delegação visita Díli para «congratular Timor-Leste pela recente
decisão do Governo norte-americano de incluir o país no lote de Estados
que podem apelar aos fundos do Millennium Challenge Account», informou o
gabinete de Alkatiri em nota à imprensa.
Compõem a missão da entidade que faz a gestão do programa do Millennium
Challenge Account o vice-presidente de operações, John Hewko, o
responsável pela gestão para a Europa, Ásia e Pacífico, Stephen Groff, o
director para Timor-Leste, Kumar Ranganathan, e a responsável pelo
programa para a Europa, Ásia e Pacífico, Ranjani Sandaran.
Para se tornar elegível para receber os fundos postos à disposição pelo
Millennium Challenge Account, um país precisa de cumprir rigorosos
critérios de selecção, nomeadamente parâmetros de boa governação,
democracia e transparência.
No encontro do primeiro-ministro com a delegação irá discutir-se a forma
como Timor-Leste irá negociar um pacote de apoio do Millennium Challenge
Account.
Os responsáveis do programa dos EUA terão depois encontros com outros
membros do Governo timorense, nomeadamente com a ministra do Plano e das
Finanças, Madalena Boavida, a ministra das Obras Públicas, Odete Victor,
o ministro do Desenvolvimento, Abel Ximenes, o ministro da Educação,
Armindo Maia, o vice-ministro dos Recursos Naturais, Minerais e da
Política Energética, a vice-ministra do Plano e das Finanças, Aicha
Basarewan, e o vice-ministro do Desenvolvimento, Arcanjo da Silva.
A delegação da Millennium Challenge Corporation ficará em Díli até ao
próximo dia 8 de Março.
(c) PNN Portuguese News Network
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12:49 AM
02-03-2006 8:40:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7785159
Díli, 01 Mar (Lusa) - Os professores portugueses colocados em
Timor-Leste não estão preparados para ensinarem a língua portuguesa como
idioma estrangeira, como necessitam os timorenses, disse Santana
Castilho, consultor do Banco Mundial, à Agência Lusa.
Antigo membro do VIII governo constitucional de Portugal, liderado pelo
primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão, Santana Castilho veio a
Timor-Leste "ajudar a definir uma política para a concepção, produção e
distribuição de manuais escolares" até ao 6º ano de escolaridade.
Mas é a estratégia seguida no apoio à reintrodução da língua portuguesa,
um dos tês vectores da política de cooperação de Portugal com
Timor-Leste, que merece a Santana Castilho as maiores críticas, em
entrevista à Lusa.
"Existe uma fraquíssima preparação dos professores e um fraquíssimo
domínio genérico a nível do Português, o que naturalmente cria alguma
dificuldade, alguma incoerência com a decisão de ter o Português como
língua de instrução", observou.
"O que se verifica, e estou a falar em termos genéricos, é que o domínio
do Português é manifestamente insuficiente para transmitir seja que
conceito for", acrescentou.
O apoio à reintrodução da língua portuguesa, à capacitação institucional
e ao desenvolvimento económico e social, constituem as três áreas chave
por que passa a cooperação bilateral, que este ano será de 32,6 milhões
de dólares (27 milhões de euros).
Para garantir que o Português, língua oficial de Timor-Leste a par do
Tétum, tenha a projecção que as autoridades timorenses desejam, no ano
lectivo em curso foram colocados 111 professores portugueses nos 13
distritos timorenses.
A estes há que juntar mais 170 formadores timorenses.
A estratégia iniciada com o final da ocupação indonésia, que passou pela
colocação de professores portugueses a leccionar directamente às
crianças timorenses não deu resultados positivos e optou-se desde
Outubro de 2003 pela formação de professores timorenses.
Santana Castilho reconhece o "grande esforço" da cooperação portuguesa
em manter mais de uma centena de docentes portugueses mas considera que
se continua a insistir num erro do ponto de vista estratégico.
"Percorri o país todo e visitei muitas escolas e falei com muitas
pessoas e encontrei uma generosidade muito grande por parte dos
professores portugueses. Vi, genericamente, uma camada de professores
muito jovens, pouco experientes, que fazem e dão o seu melhor mas, que
de facto, são pessoas com pouca experiência de ensino e sobretudo não
estão preparados para o ensino do Português como língua estrangeira,
como é o caso aqui em Timor-Leste", frisou.
Para Santana Castilho, a cooperação portuguesa deveria em primeiro lugar
garantir, em Portugal, a preparação prévia daqueles docentes.
"Eu penso que para culminar tudo isto, devia-se fazer um esforço,
reforçando significativamente o número de professores, mas fazendo
antes, em Portugal, um trabalho prévio de preparação para os professores
que vêm", defendeu.
"É um erro enorme não prepararem os professores", salientou.
"Do ponto de vista teórico, colocar os recursos a ensinar estes
professores a ensinar formadores, a estratégia está correcta.
Mas depois tem-se uma centena de professores e percebe-se que não é
possível ter a veleidade de fazer um ensino eficiente da língua, quando
se tem 11 mil e tal alunos de Português", sustentou.
Apesar da participação dos 170 professores timorenses, Santana Castilho
nota existir um rácio que, "sem mais nenhuma análise, torna impossível
que este ensino seja eficiente".
A solução está nas dezenas de milhar de professores no desemprego em
Portugal.
"Para mim é claro. Sou absolutamente categórico. É preciso reforçar. Em
Portugal temos agora, nesta altura, cerca de 40 mil professores no
desemprego. Portanto, se calhar era inteligente fazer um esforço neste
sentido, em vez de estar lá a pagar subsídios de desemprego, a pessoas
que estão desmotivadas, descontentes com o tipo de vida, mas com a
generosidades que eu tenho a certeza absoluta que têm, que se encontrava
no seio dos professores, uma politica que apontasse para a afirmação do
português neste canto do mundo", vincou.
A afirmação da língua portuguesa em Timor-Leste passa também pela
distribuição de manuais escolares.
"O que o Banco Mundial quer fazer, e que o que me pediu para estudar e
recomendar, é produzir manuais para cada uma das disciplinas do actual
currículo do ensino primário", disse.
A escolha desses manuais vai ser feita a partir de um concurso
internacional.
Mas a breve prazo a solução passa pela adopção de livros já existentes
no mercado.
"É impossível nos próximos dois anos fazer outra coisa que não seja
adaptar livros já existentes no mercado. Mas o caminho - e a minha
recomendação vai nesse sentido -, é que se constituam bolsas de autores
timorenses e a evolução vai ser no sentido de se terem manuais adaptados
dos já existentes e depois, nos anos subsequentes, procurar já ter
livros feitos por timorenses", propôs.
Quanto à ideia de que se fala melhor o português no interior de
Timor-Leste que em Díli, Santana Castilho confessou não ter tido tempo
suficiente para avaliar esses dados, mas reconheceu ser "mais fácil
comunicar com gente de uma geração mais idosa".
"Encontrei no interior professores com algum domínio do português, o que
permite manter uma conversação, digamos, com léxico muito limitado. Mas
também encontrei aqui em Díli. Para mim a questão é que durante o
domínio indonésio toda esta juventude, que foi educada pelos indonésios,
não tem boas razoes do ponto de vista deles para aprender português.
Isso é óbvio. Não vamos mascarar isso. Precisam de ser estimulados,
acarinhados e importa fazer um investimento diferente do que foi feito",
sublinhou.
"Não estou aqui a não apreciar o esforço, a generosidade e até do ponto
de vista logístico - visitei as casas dos professores português, que têm
mais condições do que tenho visto noutros países de língua portuguesa.
Aí há um trabalho que é meritório", salientou.
"Mas não me interessa avaliar as pessoas por aquilo que elas fizeram.
Pretendo avaliar as pessoas pelo que poderiam fazer. É uma análise
custo/benefício. E penso que o dinheiro que tem sido investido aqui não
tem os resultados que poderia ter. A análise do custo/benefício é
negativa", reforçou.
Voltando aos manuais, Santana Castilho diz que vai ser necessário
produzir centenas de milhar de exemplares.
"Uma vez - passe a expressão - 'inundados` com centenas de milhar de
livros, colocados esses livros nas mãos das crianças, aí a decisão é
incontornável e não se pode voltar atrás, ou seja ter o Português como
língua de instrução. O que me leva a defender que devia haver uma
coincidência com o reforço do ensino do Português aqui", reafirmou.
Quanto à utilização em Timor-Leste, nos próximos dois anos, de manuais
escolares empregues nos países africanos de língua portuguesa, Santana
Castilho considera que essa medida faz todo o sentido.
"Faz todo o sentido e não pode ser de outra maneira nos dois primeiros
anos. É impossível ser de outra maneira", reforçou.
EL.
Lusa/Fim
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12:38 AM
02-03-2006 13:54:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7785963
Díli, 02 Mar (Lusa) - Os militares timorenses que abandonaram as
respectivas unidades desde o passado dia 08 de Fevereiro são cada vez
mais e um dos seus coordenadores, tenente Gastão Salsinha, alega que já
são 593 efectivos.
Citado pela imprensa timorense, o tenente Salsinha salientou que o
protesto não tem motivação política e que se deve ao que aqueles
militares alegam serem actos de discriminação no acesso a promoções e na
vida diária nas respectivas unidades.
O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, que hoje se encontrou com
o Presidente Xanana Gusmão, na habitual audiência das quintas-feiras,
disse no final do encontro à agência Lusa que continua a ter a
informação que somente 403 militares se colocaram à margem da
instituição.
Mari Alkatiri acrescentou que, no encontro com Xanana Gusmão, o
Presidente teve a iniciativa de falar com ele sobre a questão.
"O Presidente tomou a iniciativa de falar comigo para ver se podemos, em
conjunto, com o presidente do Parlamento Nacional (Francisco Guterres
"Lu-Olo") encontrar formas políticas de resolver a questão", disse.
Fonte da presidência da República disse à Lusa que o número de militares
fora das unidades era no passado fim-de-semana de 587 e que Xanana
Gusmão escreveu uma carta ao comando das Falintil-Forças de Defesa de
Timor-Leste (F-FDTL) para que os aspectos disciplinares sejam
rapidamente resolvidos no plano interno.
O total de efectivos das F-FDTL era, antes da crise, de 1.742.
O acto de indisciplina dos militares tornou-se público no passado dia 08
de Fevereiro, quando 404 se concentraram junto à presidência da
República, para solicitarem ao seu comandante-em-chefe que interviesse
na resolução dos problemas que alegam serem alvo nas respectivas
unidades.
Apesar dos apelos de Xanana Gusmão, os militares recusaram regressar às
unidades.
Para apreciar as reivindicações destes militares, mas também para
avaliar o grau de responsabilidade individual na acção, foi criada uma
comissão de averiguações, composta por militares e dois deputados,
membros do Conselho Superior de Defesa e Segurança, mas que deixou de
ter razão de ser com a continuação do abandono das unidades.
Entretanto, a Austrália suspendeu as acções de cooperação enquanto a
situação não estiver resolvida, tendo feito regressar a Díli os seus
assessores envolvidos em acções de formação das F-FDTL que se
encontravam colocados no Centro de Instrução de Metinaro, a 40
quilómetros da capital timorense.
Portugal tem actualmente 14 militares na cooperação técnico- militar com
as F-FDTL, mas não se confirma que idêntica medida tenha sido tomada.
EL.
Lusa/Fim
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12:37 AM
A gestão da Santa Sé, tantas vezes criticada, (...) contribuiu para que o caso de Timor fosse decidido com base na sua natureza política.
Numa época tantas vezes caracterizada por falta de esperança, o caso de Timor deve ser lembrado, estudado e acompanhado.
Após quase vinte e cinco anos de ocupação, a independência de Timor é o produto de diferentes factores que se conjugaram no tempo certo.
No momento actual, por exemplo, em que diferentes radicalismos procuram o afrontamento entre as religiões, seria mais delicado ver um país muçulmano abrir mão de um território maioritariamente católico. O destino de Timor, no quadro da presente conjuntura internacional, seria encarado como questão menor, que dificilmente mobilizaria as boas vontades que se congregaram nos anos 1999 / 2000.
Assim, o processo de independência de Timor beneficiou, seguramente, de ser anterior à conjuntura criada pelos atentados do 11 de Setembro. Por isso, na altura, o caso de Timor foi debatido como um dossier político, não como matéria do foro religioso.
Se o acento tónico tivesse sido posto na religião, a complexidade da solução para Timor seria ainda maior.
A gestão da Santa Sé, tantas vezes criticada, mesmo por alguns católicos, contribuiu decisivamente para que o caso de Timor fosse avaliado e decidido com base na sua natureza política.
Se a Santa Sé tivesse aberto clivagens mais profundas com a Indonésia, não só teria provocado acrescidas dificuldades aos católicos indonésios, como agravaria a situação da Igreja católica em Timor. A prudência da Santa Sé permitiu à Igreja de Timor as condições mínimas para acompanhar, ao longo dos anos, a população timorense.
De facto, a Igreja católica timorense foi apertadamente vigiada durante os tempos de ocupação. Mas a repressão teria sido bem pior, se a questão de Timor fosse apresentada e equacionada como eminentemente religiosa.
Assim, a acção da Igreja, próxima dos que mais sofrem, desencadeou em Timor um mar de conversões que foi inquietando o regime indonésio e enervando os militares no terreno. Altamente minoritária durante séculos, a Igreja católica acabou por se tornar largamente maioritária entre a população timorense.
Mas tendo a Igreja católica esta expressão, não deixa de ser curioso que as primeiras eleições timorenses tenham colocado, como primeiro-ministro, um político muçulmano.
A aprendizagem de convivência democrática não tem sido e não será simples. As incógnitas são muitas, designadamente quanto ao modelo de desenvolvimento de Timor. O turismo e o petróleo parecem ser alguns dos eixos do futuro. Mas é sabido que em muitos países, o petróleo tem desenvolvido, sobretudo, as contas bancárias dos respectivos dirigentes e pouco tem adiantado ao desenvolvimento das populações.
A comunidade internacional, a cooperação portuguesa e da União Europeia e a boa relação com Indonésia e Austrália serão aspectos decisivos na evolução de Timor. Mas será indispensável a continuação de lideranças firmes, embora moderadas, dentro da própria sociedade timorense.
Num processo ainda frágil, vozes como D. Basílio do Nascimento e Xanana Gusmão são um privilégio para os timorenses e factores de credibilidade, dentro e fora do país.
José Luís Ramos Pinheiro
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12:36 AM
01-03-2006 18:17:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7782972
Washington, 01 Mar (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros de
Timor-Leste, José Ramos-Horta, reúne-se hoje com congressistas
norte-americanos para discutir o futuro da missão das Nações Unidas em
Timor-Leste e a sua possível candidatura a secretário- geral da
organização.
Ramos-Horta, que ainda não decidiu se se candidata ao cargo máximo da
ONU, manteve terça-feira conversações nesse sentido com entidades na
Casa Branca.
"Estou a reflectir sobre a possibilidade de me candidatar," disse
Ramos-Horta numa entrevista à rádio Voz da América.
"Estou a ouvir amigos em Washington ao nível do Congresso, vou continuar
as consultas em Nova Iorque, em Lisboa e em Paris", acrescentou,
indicando que em finais deste mês, Abril ou mesmo Maio terá de tomar uma
decisão sobre uma possível candidatura.
O mandato do actual secretário-geral da ONU, Kofi Annan, termina no
final do ano e nos bastidores da diplomacia iniciou-se já uma intensa
luta pela sua substituição.
O Conselho de Segurança tem seguido a prática de escolher candidatos
numa base regional, o que teoricamente abre as portas a que o próximo
secretário-geral seja da Ásia. Os Estados Unidos, porém, já disseram que
se opõem ao princípio da rotatividade geográfica.
A candidatura do ministro timorense ao cargo de secretário- geral foi
aventada pela primeira vez pelo antigo embaixador dos Estados Unidos na
ONU Richard Holbrooke no início de Fevereiro e desde então essa
possibilidade tem vindo a ganhar força nos círculos diplomáticos onde
Ramos-Horta é visto como um candidato de compromisso não só entre os
blocos geográficos como também entre os próprios países asiáticos.
Outros candidatos são o turco Kemal Dervis, actual dirigente do Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o vice-primeiro- ministro da
Tailândia Surakiart Sathirathai, o ministro dos Negócios Estrangeiros
sul-coreano Ban Ki Moon e Jayantha Dhanapala do Sri Lanka. Sathirathai e
Moon são considerados os favoritos.
Embora "ainda" não seja candidato, como frisou na sua entrevista à Voz
da América, Ramos-Horta diz não ter "qualquer hesitação em poder assumir
a responsabilidade de secretário-geral da ONU".
"Conheço a ONU muito bem, conheço as suas fraquezas e limitações, mas
também o enorme potencial e o papel muito importante das Nações Unidas
no mundo", afirmou o chefe da diplomacia timorense.
"A minha preocupação tem mais a haver com as responsabilidades que se me
impõem enquanto timorense, e isso tem a haver com a situação em
Timor-Leste", acrescentou.
Um dos objectivos da actual deslocação a Washington de Ramos- Horta é
pressionar no sentido de ver concretizada a proposta de Kofi Annan de,
após o mandato da actual missão da ONU em Timor-Leste (UNOTIL), que
termina a 20 de Maio, nomear um "Coordenador Residente das Nações
Unidas" para "facilitar a entrega gradual de responsabilidades pela
coordenação da ajuda internacional a Timor- Leste".
Uma reunião do Conselho de Segurança em finais de Janeiro terminou sem
qualquer decisão nesse sentido porque muitos países membros deste órgão
máximo da ONU são de opinião de que a ajuda a Timor-Leste deve agora ser
trabalho do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD),
que coordena a ajuda aos países em desenvolvimento.
Ramos-Horta disse que o seu Governo apoia a posição de Annan, defendendo
que a ONU mantenha "um escritório político especial em Timor-Leste para
garantir sobretudo o processo eleitoral".
"Teremos eleições em 2007 e precisamos de apoio, não só logístico e
financeiro mas também na feitura da lei eleitoral", disse, acrescentando
ainda que o país precisa de conselheiros internacionais "sobretudo nas
áreas da banca, finanças e justiça".
"Queremos que estas duas vertentes sejam coordenadas por um gabinete
político especial das Nações Unidas e não pelo PNUD", acrescentou o
ministro timorense.
Ramos-Horta disse esperar que o Conselho de Segurança da ONU tome uma
decisão sobre "a configuração da nova missão em Março ou Abril".
JP.
Lusa/fim
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12:35 AM
01-03-2006 16:26:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7782988
Díli, 01 Mar (Lusa) - Os serviços de protecção civil de Timor- Leste
alertaram hoje para a forte possibilidade de o país ser alvo na próxima
sexta-feira de um ciclone tropical, com ventos que se prevêem superiores
a 100 quilómetros horários.
Em comunicado distribuído à imprensa, aqueles serviços aconselham a
população a precaver-se dos efeitos de ventos fortes e chuvas intensas
que assinalarão a passagem do ciclone, que começou a formar-se no
passado dia 27 de Fevereiro no Mar de Banda, a partir de uma monção.
De acordo com os serviços meteorológicos da Austrália, a tempestade
tropical está a avançar à velocidade de oito nós e passou a ciclone de
categoria 1, devendo os seus efeitos fazer-se sentir com maior força na
parte sul de Timor-Leste, sobretudo nas áreas costeiras, com ondulação
até 3,5 metros.
A previsão aponta ainda para a progressiva diminuição da força dos
ventos e diminuição das chuvas a partir de domingo.
O comunicado alerta para a eventualidade de deslizamentos de terra,
queda de árvores, inundações, formação de correntes de lama e projecção
de objectos lançados pelo vento.
Na segunda quinzena de Janeiro, Timor-Leste sofreu os efeitos do ciclone
tropical "Daryl", com centenas de casas e muitas culturas de milho
danificadas devido aos fortes ventos e chuvas que se abateram sobre o
país.
O "Daryl" localizou-se na costa noroeste da Austrália.
EL.
Lusa/Fim
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12:35 AM
EMBAIXADA DE PORTUGAL EM DÍLI
Informação
INDEPENDÊNCIA: EU APOSTO NO SÂNDALO
Nesta escola¿ cada turma tem uma árvore!
¿Quando o estudante sabe que a vida das árvores que foram semeadas
depende do seu cuidado em regá-las¿sem a qual a pequena árvore secará,¿
a criança torna-se vigilante, como alguém que começou a sentir uma
missão na vida¿ (Montessori, 1912)
O projecto ¿ Independência ¿ Eu aposto no Sândalo¿ desenvolvido pelo
Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural em Timor Leste ¿ PADRTL ¿
Cooperação Agrícola Portuguesa em colaboração com o Ministério da
Agricultura, Florestas e Pescas e com o Ministério da Educação e da
Cultura, pretende associar às comemorações do 30º aniversário da
proclamação da independência, uma vasta acção de informação e
sensibilização da população jovem para a importância ambiental e
económica da preservação dos recursos florestais, utilizando o sândalo
como símbolo.
¿Eu aposto no Sândalo¿ consiste em associar os 30 anos da proclamação da
independência à noção da independência económica que o sândalo, também
em cerca de 30 anos, poderá proporcionar, apelando ao sentido de
trabalho, dedicação e preserverança a que o povo de Timor Leste está tão
associado.
A iniciativa pretende que as crianças e os jovens de Timor Leste,
compreendam e assumam a importância da conservação dos recursos
florestais como motor de desenvolvimento económico e ambiental essencial
ao bem-estar das gerações presentes e futuras.
O projecto será implementado em 5 escolas de cada um dos 13 Distritos de
Timor Leste (duas escolas do ensino primário, duas do ensino
pré-secundário e uma do ensino secundário), totalizando 65 escolas,
cerca de 25.000 alunos e professores e 6.500 árvores plantadas.
Serão distribuídos e associados a cada turma, sândalos e outras espécies
florestais em cuja plantação, sobrevivência e crescimento os alunos
assumirão responsabilidades, com o apoio dos professores e técnicos do
PADRTL e MAFP. De modo a promover a formação e o empenho de professores
e alunos, serão apresentados e distribuídos desdobráveis didácticos e
cartazes. No final do ano lectivo, serão ainda oferecidas t-shirts
alusivas ao programa aos alunos da turma que melhor cuidaram das suas
árvores.
O projecto ¿ Independência ¿ Eu aposto no Sândalo¿, foi lançado no dia
30 de Novembro de 2005 e decorrerá até final do ano de 2006.
Díli, 21 de Fevereiro de 2006
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12:29 AM
27-02-2006 7:59:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7775769
Díli, 27 Fev (Lusa) - O presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, parte
a 07 de Março para Lisboa, onde representará o seu país na cerimónia de
posse do novo chefe de Estado de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, disse
hoje à Lusa fonte oficial.
A cerimónia da tomada de posse do novo presidente português realiza-se a
09 de Março.
A delegação timorense integra ainda o chefe da diplomacia, José
Ramos-Horta, que na véspera da cerimónia manterá um encontro de trabalho
com o seu homólogo português, Diogo Freitas do Amaral.
A reunião entre os MNE português e timorense visa preparar a vinda do
chefe da diplomacia portuguesa a Timor-Leste, para representar Portugal
no quinto aniversário da restauração da independência.
O quinto aniversário celebra-se a 20 de Maio, dia em que chega ao fim o
mandato da actual missão da ONU em Timor-Leste (UNOTIL), que deverá ser
substituída por um escritório de coordenação das assessorias civis a
diversos departamentos governamentais e do Estado timorense.
Xanana Gusmão e Ramos-Horta seguem depois para Genebra, onde o
presidente discursará, a 16 de Março, na Comissão de Direitos Humanos
das Nações Unidas.
EL.
Lusa/Fim
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12:28 AM
"Pátria nossa, terra nossa"
Beatriz Wagner (*), de Sidnei, Austrália
José Alexandre Gusmão deverá ser o primeiro presidente de Timor Lorosae. Nascido em Manatuto, Timor Leste, em junho de 1946, ele adotou o nome de guerrilha, Kai Rala Xanana Gusmão, aos 32 anos, quando assumiu o Comando Supremo das Falintil (Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor Leste), após o assassinato do comandante Nicolau Lobato, em 1978. Agora, aos 53 anos, o ex-seminarista e ainda poeta, escritor, jornalista, professor, guerrilheiro, comandante das Falintil e presidente do CNRT (Conselho Nacional da Resistência Timorense) vai liderar a nação mais jovem e também a mais pobre do planeta.
Preso em 1992, Xanana foi condenado à prisão perpétua pela Indonésia, que ocupou sua terra em 1975, logo após a retirada dos portugueses, e matou 200 mil timorenses ¿ pelo que se pôde contar. Cumpriu sete anos da pena na penitenciária de segurança máxima de Cipinang, em Jacarta. Sob pressão da comunidade internacional, que pedia sua libertação, foi posto em prisão domiciliar numa casa escolhida pelas autoridades indonésias até que, em 7 de setembro ¿ três dias após a explosão máxima da ferocidade pro-integracionista em Timor Leste ¿, foi finalmente libertado.
O momento oficial da libertação aconteceu dentro da embaixada britânica em Jacarta. Na pratica, nada mudou ¿ só a prisão, que ficou mais confortável. Onze dias depois, Xanana deixou o território indonésio pela primeira vez na vida, direto para Darwin. De lá foi a Washington, Nova York ¿ onde discursou perante a 54ª Assembléia Geral das Nações Unidas ¿, depois a Lisboa e Londres. De volta à Austrália, esteve em Melbourne, Sidnei e Darwin, outra vez.
Na semana passada [17-23/10], ele regressou a sua terra, numa uma operação secreta, e em seu uniforme militar fez um discurso emocionado em Díli, a capital, para milhares de pessoas em frente ao palácio do governo ¿ uma das raras construções ainda de pé na capital destruída pela violência das milícias pró-integração e das forças indonésias. Uma destruição a que a comunidade internacional assistiu de camarote por alguns dias, até que a mídia também abandonasse a área de alto risco. A portas quase cerradas, o reino do terror deixou pouca pedra sobre pedra.
Em Sidnei, conversei com Xanana Gusmão. Ele falou do novo genocídio em Timor ¿ mais um. E embora em Díli seu primeiro discurso tenha sido em tétum, a língua local, Xanana afirma que Timor Lorosae será o oitavo pais de língua portuguesa no mundo. Ou pelo menos estes são os planos das lideranças. José Ramos-Horta, vice-presidente do CNRT, co-laureado com o Prêmio Nobel da Paz de 1996, diz que a adoção do português será uma forma de reafirmar as raízes históricas de Timor e também de homenagear todos os povos lusófonos: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Os desafios à frente de Xanana Gusmão são muito grandes. E ao lado também. Na pontinha do maior país muçulmano do mundo, o quarto maior em população e uma bomba-relógio nesta parte do mundo, Timor terá que conviver com sua poderosa vizinha, a Indonésia, mais de 200 milhões de habitantes, dos quais meio milhão pertencem às Forcas Armadas, incluindo a polícia. Timor Leste, no dia da consulta popular da independência, 30 de agosto, deveria ter em torno dos 800 mil habitantes. Quantos terá agora? Ninguém sabe. O tempo dirá.
Qual é a situação dos refugiados em Timor Ocidental?
Xanana Gusmão ¿ Esta é uma enorme preocupação, porque estamos falando aqui de quase um terço da população de Timor. Temos vindo a insistir com a comunidade internacional para uma operação em grande escala, a fim de retirar imediatamente aqueles a quem nós chamamos de reféns. O problema lá é que eles não necessitam muito de comer. O que necessitam é de regressar à casa para ver, procurar seus maridos, seus pais. Como sabe, há mais mulheres e crianças naqueles campos. Esta é que é a necessidade premente deles, e não realmente o comer ou os medicamentos. Tem havido um retorno em aviões, aos poucos. Isso levará anos. Com navios, com dois, três mil de uma vez, talvez em um mês eles regressem. É mais barato de alugar do que aviões e é nisso que temos insistido com a comunidade internacional.
Continuamos a insistir no regresso de todos os reféns, numa operação que possa levar de volta os timorenses vivendo na Indonésia e também no aumento das forças multinacionais para que a segurança possa vir a condicionar o rápido retorno da população deslocada no mato e nas montanhas. Estamos a fazer face a enormes dificuldades não só na questão de assistir à população, como na questão de proceder a uma administração provisória em nível local e regional. As dificuldades são tantas que temos de andar de país a país a pedir a organizações, sindicatos, grupos de solidariedade, como podem concretamente apoiar o CNRT na execução das atividades que são muito, muito urgentes.
Por que reféns?
X. G. ¿ Reféns dentro da percepção de uma estratégia que os generais fizeram. A destruição, a violência, tudo isto estava dentro de uma estratégia em que forçaram aquele número de pessoas a ir para Timor Ocidental para dizer que a Unamet não foi justa, que toda a população que passou para o outro lado eram aqueles que deveriam votar pela autonomia. Uma estratégia muito suja dos generais indonésios. Às vezes podemos pensar "que raios de estratégia foi esta?" Eles não têm estratégias muito claras, as tem é muito escuras. Esta é uma delas. O problema do lado indonésio é que eles subestimaram totalmente a reação internacional. Porque eles fizeram o que queriam por 23 anos, pensaram, de maneira muito simplista, que se levassem 300 mil timorenses para Timor Ocidental poderiam impor uma partilha do território, ou invalidar a votação. Treinaram as milícias só para continuar esta estratégia. Já se ouviu de novo falar em "divisão de Timor". Quer dizer, uma grande, imensa Indonésia ainda conseguiu elaborar a estratégia de dividir Timor, para colocar tantos milhares que querem a integração. São mantidos lá contra a sua vontade. São reféns.
Quantas pessoas morreram em Timor Leste desde a votação?
X. G. ¿ Não será por nós que se terá este resultado. Deixaremos a grupos independentes de investigação a avaliação sobre o novo genocídio em Timor.
O ministro indonésio Haryono Suryono, do Bem-Estar Social, disse há alguns dias que os timorenses em Timor Ocidental estão com muito medo de voltar a Timor Leste por causa dos confrontos na fronteira entre a Interfet e as milicias pró-integração. O senhor acha que a guerra da contra-informação da Indonésia ainda tem chances de ser bem-sucedida?
X. G. ¿ Eu creio que os governantes indonésios são das pessoas que mais sabem mentir e nunca tomaram consciência de que o mundo já está farto de suas mentiras, de sua propaganda. Isto é apenas um meio de salvar a face, um meio de o governo indonésio dizer que não tem nada a ver com a ida forçada deles e um meio de justificar aquela forma de inquérito que fizeram, o de perguntarem se os refugiados, os reféns, querem ou não voltar. Eles tentam, sempre tentaram. E ainda não conseguiram mudar de comportamento.
No momento, na guerra da contra-informação, todas as baterias estão voltadas contra a Interfet. A própria agência de notícias Antara acusa o exército australiano, que lidera as tropas de paz, de estar matando, torturando e queimando pessoas. Quem se convence com isso? O povo indonésio?
X. G. ¿ É mais o povo indonésio, mas também as forcas pró-status quo. Os militares indonésios são a força dominante lá no país, e os políticos, os da componente civil, têm, de uma outra forma, tentar agradá-los. Então têm que fazer declarações que não são do seu agrado mesmo. É tudo um jogo complicado. Todo mundo tem que dizer qualquer coisa para agradar aos militares.
O senhor já ofereceu que as Falintil cooperem intimamente com a Interfet. Isso pode acontecer?
X. G. ¿ O problema é do mandato da ONU à Interfet [Força Multinacional de Paz das Nações Unidas para Timor Leste], que ordena, para nós erradamente, mas aceitamos, o desarmamento de, digamos assim, todos os timorenses. Temos vindo a defender o não-desarmamento das Falintil e o seu reconhecimento como o exército de libertação. Com esta legitimidade, ela não pode ser desarmada da mesma maneira que um grupo de bandidos como as milícias ou um bando de criminosos como os Kopassus [tropa de elite indonésia criada por Suharto para torturar e matar]. O mandato não permite que as Falintil, como era sua intenção desde o início, participem da pacificação, estando na linha de frente de combate. Pensamos que a pátria é nossa, a terra é nossa, e para permitir vítimas baixas deveríamos ser os primeiros a aceitar estas baixas, e não as forças internacionais, embora apreciemos imenso a presença das forças multinacionais.
Mas o mandato já mostrou ser flexível, a partir do momento em que a Interfet aceitou não desarmar as Falintil.
X. G. ¿ É, mas até ao ponto de participarmos ativamente na operação de pacificação já é, eu creio, um bocado complicado.
E não há negociações no momento?
X. G. ¿ Em princípio não há, na medida em que isto vai dar mais motivos à Indonésia em lançar acusações à Interfet.
O senhor veio à Austrália agora pela primeira vez: Darwin, Melbourne e Sidnei. Qual é sua opinião sobre a Austrália?
X. G. ¿ A Austrália teve dois comportamentos. Em nível do governo foi o único país talvez que reconheceu a integração, mas em nível do povo foi de uma extraordinária solidariedade em momentos difíceis, desde o começo da nossa luta. Já que agora estamos num presente muito positivo e o governo também atuou de uma forma completamente diferente das políticas anteriores, a opinião é de que é hora de a Austrália apoiar a reconstrução em todos os aspectos, e é por isso que nós viemos aqui.
O que o senhor espera da comunidade timorense no exílio?
X. G. ¿ O que eu percebi de encontros que tive com a comunidade é que há uma vontade total de voltar a Timor, de oferecer a disponibibilidade em capacidades, a disponibilidade em outras áreas. Eu espero um plano muito mais bem-feito para o regresso dos timorenses ¿ seja para participar ativamente na reconstrução, seja para morrer na sua terra natal.
Há muitas forças decidindo muita coisa para Timor: ONU, Interfet, Portugal, Austrália. O senhor está satisfeito com a participação das lideranças timorenses na tomada de decisões?
X. G. ¿ (em tom de brincadeira) Não é bem toda a gente mexendo. Não se preocupe, nós vamos ao Brasil também pedir ajuda.
(*) Jornalista, diretora do Programa de Língua Portuguesa da Rádio SBS em Sidnei, Austrália, onde mora desde 1993
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12:18 AM
24-02-2006 7:43:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7768563
Díli, 24 Fev (Lusa) - O empresário Stanley Ho poderá associar-se ao
consórcio que integra a GALP, para a exploração de hidrocarbonetos em
Timor-Leste, revelou hoje Fernando Gomes, administrador executivo da
petrolífera portuguesa, à Agência Lusa.
A possibilidade surgiu na sequência do anúncio que uma delegação da
GALP, fez ao governo timorense quanto à criação de um consórcio
concorrente "a dois ou três blocos" petrolíferos do Mar de Timor, e que
integra ainda a Petrobrás, do Brasil, e a Petronas, da Malásia.
A delegação da empresa portuguesa integrou ainda o director-geral da
GALP Internacional, Carlos Bayan Ferreira.
Fernando Gomes, que veio a Timor-Leste integrado na comitiva de
empresários que acompanhou a visita oficial do presidente Jorge Sampaio,
acrescentou à Lusa que o consórcio deverá entregar as suas propostas
para a exploração de "dois ou três blocos de águas profundas", dos 11
colocados a concurso pelo governo timorense.
A participação futura de Stanley Ho será definida somente depois de
anunciados os resultados do concurso lançado a 27 de Janeiro pelo
governo timorense e cuja data limite, 17 de Março, foi prorrogada em
mais duas semanas devido à necessidade manifestada por alguns dos
consórcios interessados em apresentar as suas propostas.
Fonte ligada ao processo de avaliação das candidaturas disse à Lusa que
alguns consórcios estão a experimentar dificuldades no cumprimento da
obrigatoriedade de apresentar as candidaturas nas duas línguas exigidas:
inglês e português.
O interesse de Stanley Ho, magnata dos casinos de Macau, foi manifestado
quando este teve conhecimento da formação do consórcio
GALP-Petrobrás-Petronas.
"Nesta fase (apresentação da candidatura aos blocos) é já um pouco
tardio, mas ele ficou entusiasmado com as referências que o governo de
Timor-Leste fez a este consórcio", adiantou Fernando Gomes.
"Estamos a apreciar este pedido de Stanley Ho, que apenas deverá ter uma
participação financeira. Todavia, essa participação financeira só poderá
ser concretizada mais tarde. A decisão (de incluir Stanley Ho) não
depende só da GALP, mas das três empresas", disse.
O consórcio vai criar uma empresa em Timor-Leste com capacidade de
decisão para tomar as medidas que foram necessárias, sem ter que estar
em contacto permanente com as sedes das três empresas.
Fernando Gomes adiantou que o consórcio vai concorrer a "dois ou três
dos blocos mais importantes. Todos de águas profundas".
A opção pelas águas profundas deve-se à falta de qualidade dos dados
sísmicos recolhidos nas águas rasas, considerados por especialistas como
muito fracos, que não permitem qualquer conclusão quanto à vantagem
comercial de aí se fazer a exploração de hidrocarbonetos.
"Não estamos disponíveis para concorrer a algo que não sabemos o que tem
lá por baixo", frisou.
A proposta do consórcio será entregue às autoridades timorenses dentro
de duas semanas e na sequência da divulgação dos resultados, prevista
para Maio, as assinaturas dos contratos será feita em Junho.
Fonte ligada ao processo de avaliação das candidaturas indicou
entretanto que na eventualidade de alguns blocos não receberem nenhuma
candidatura, designadamente os de águas rasas, o governo timorense está
a encarar a possibilidade de recorrer à negociação directa para a
exploração dos mesmos.
Neste caso, a GALP está disponível para efectuar estudos sísmicos
adicionais nesses blocos.
Os 11 blocos a concurso 28.776 quilómetros quadrados.
O início da avaliação das candidaturas começa a 31 de Março e a
apresentação do relatório final da comissão a ministro dos Recursos
Naturais, cargo desempenhado pelo primeiro-ministro Mari Alkatiri, será
feito a 18 de Abril.
EL.
Lusa/Fim
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12:12 AM
24-02-2006 4:29:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7768326
Díli, 24 Fev (Lusa) - A imprensa escrita timorense reflecte hoje o
sucesso da visita oficial do presidente da República português, Jorge
Sampaio, com os títulos a variarem entre votos de boa viagem no regresso
a casa e referências ao êxito alcançado com esta deslocação.
A visita, de três dias, foi a última com carácter oficial do segundo
mandato presidencial de Jorge Sampaio, que termina a 09 de Março,
passando o testemunho a Aníbal Cavaco Silva.
O Suara Timor Lorosae (A Voz de Timor), o mais antigo dos títulos que se
publicam em Timor-Leste, coloca duas fotos de Jorge Sampaio na primeira
página, ilustrando a deposição de uma coroa de flores no cemitério de
Santa Cruz e o encontro que manteve quinta-feira em Gleno, distrito de
Ermera, com mais de 1.000 estudantes timorenses.
"Sampaio: Adeus Timor-Leste" e "Masyarakat Antusias Atas Kunjungan
Sampaio" (em bahasa indonésio, que em português se traduz por «O povo
está contente com a visita de Sampaio») foram os títulos escolhidos pelo
STL, cujo primeiro número foi publicado a 01 de Fevereiro de 1993.
Uma página especial no interior, mantida ao longo dos três dias da
visita, escrita totalmente em língua portuguesa, reproduz os despachos
da Agência Lusa de cobertura da estada de Sampaio.
Outro diário, o Timor Post, é o único que publica uma foto do presidente
timorense, Xanana Gusmão, e do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, a
despedirem-se no aeroporto do chefe de Estado português, que
quinta-feira à noite viajou para Darwin a bordo de um avião C-130 da
Força Aérea Portuguesa.
"Dificuldades do povo de Timor: Sampaio pede paciência" e "Goodbye
Sampaio: esperam-se resultados" são as referências na primeira página
deste diário.
Na página sete, no habitual espaço reservado a textos de opinião, o
Timor Post reproduz na integra, em tétum, a Oração de Sapiência que
Jorge Sampaio fez quarta-feira perante centenas de estudantes
universitários.
A página 10, habitualmente reservada aos despachos em português da
Agência Lusa, é nesta edição totalmente ocupada com as notícias editadas
pela Lusa sobre a visita.
Duas páginas à frente, mais duas fotografias de Jorge Sampaio,
ilustrando as visitas que fez a escolas em Fahite, no distrito de
Liquiça, e a Gleno, acompanham os textos que dão conta daquelas
deslocações.
Na visita a Fahite, o título escolhido foi "Presidente Sampaio han koko
Koto-Moruk" (em tétum, que em português se traduz por «Presidente
Sampaio provou feijão bravo»).
Já na deslocação a Gleno, o jornal puxou para título a referência feita
pelo secretário de Estado timorense para a Coordenação da Região III,
Egídio de Jesus: "Sampaio loke pagina foun fo ajuda ba TL" (em tétum,
que em português se traduz «Sampaio abre nova página para ajuda a
Timor-Leste»).
Na última página, o Timor Post reproduz os comentários de deputados
timorenses à intervenção de Sampaio na passada terça-feira, durante a
sessão solene do Parlamento Nacional.
O Jornal Nacional Diário (JND) também deseja na primeira página boa
viagem a Jorge Sampaio e insere duas fotos, uma com os casais
presidenciais dos dois países e outra sobre a participação da primeira
dama, Maria José Ritta, num seminário de divulgação de medidas de
combate contra a Sida.
Nas páginas três e quatro, o JND volta a referir-se à visita, destacando
a afirmação de Jorge Sampaio quanto à continuidade do apoio de Portugal
a Timor-Leste.
Nas últimas páginas, escritas em português, o JND reproduz os despachos
da Agência Lusa sobre a visita do presidente português.
EL.
Lusa/Fim
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12:12 AM
23-02-2006 2:26:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7764357
Díli, 23 Fev (Lusa) - Os bispos católicos de Timor-Leste estão
preocupados com a crise militar no país e receiam que a sua continuidade
hipoteque a estabilidade nacional.
D. Alberto Ricardo da Silva, bispo de Díli, e D. Basílio do Nascimento,
bispo de Baucau, falaram à imprensa à saída de um encontro com o
presidente português Jorge Sampaio, que hoje termina uma visita oficial
de três dias a Timor-Leste.
O bispo de Díli defendeu ser "de toda a conveniência procurar evitar-se"
a continuação da crise militar, "para o que tem de haver diálogo,
compreensão mútua e procurar uma solução para o bem de todos.
É muito urgente".
Relativamente à possibilidade de em breve Timor-Leste vir a contar com
um casino, na sequência dos investimentos que se perspectivam por parte
do magnata dos casinos de Macau, Stanley Ho, D.
Basílio do Nascimento questionou essa prioridade.
"Costuma-se dizer que o jogo é um dos motores para a economia de um
país, pelo capital que traz. Num país com capacidade económica
suficiente trata-se de mais um instrumento que contribui para o
desenvolvimento desse país", indicou.
"Mas, num país como Timor-Leste, onde não há nada - e como se sabe nós
asiáticos temos uma paixão enorme pelo jogo -, receio que isto contribua
ainda mais para o empobrecimento da população. Os jogos só saem de vez
em quando, mas o dinheiro sai sempre do bolso", sublinhou o bispo de
Baucau.
Do encontro com Jorge Sampaio, o bispo de Baucau reteve "as
recomendações e os conselhos para a igreja, sobre a sensibilidade que (o
presidente português) tem em relação ao contributo que a igreja poderia
dar nesta fase da vida timorense".
Quanto ao retrato que a igreja timorense faz do país, D. Basílio do
Nascimento disse ser necessário relativizar.
"Quando o estômago está esvaziado, as reclamações vêem ao de cima, mas
penso que isso é natural. O que lamento é que não haja uma preocupação,
uma política de comunicação ou de informação de quem toma decisões. As
pessoas compreendendo, poderão relativizar e suportar melhor as
dificuldades", vincou.
D. Alberto Ricardo vai mais longe e considera que continuam a
verificar-se "situações de muita carência".
"Há fome, muita fome", sublinhou.
A este respeito, o bispo de Baucau questionou a aposta no petróleo como
motor de desenvolvimento, considerando ser a agricultura o sector
prioritário para a acção governativa.
"O petróleo deve ser uma mais-valia e não o motor do desenvolvimento.
Dou um exemplo, em Natarbora (costa sul do país), em 41 hectares
produziram-se, em 2005, 327 toneladas de arroz, que está armazenado por
falta de escoamento", referiu.
"É mais barato comprar o quilo de arroz na Indonésia, Tailândia ou
Vietname. Devia haver maior preocupação em proteger a produção nacional
e promover o escoamento dos produtos, dando motivação aos agricultores",
acrescentou.
O último dia da visita oficial de Jorge Sampaio prosseguiu com um
encontro com o representante especial do secretário-geral da ONU em
Timor-Leste, Sukehiro Hasegawa, que assinou, com o secretário de Estado
dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, um
protocolo que formaliza a continuidade de Portugal como principal doador
do programa de fortalecimento do sector judicial timorense.
O presidente português seguiu depois viagem em direcção ao distrito de
Ermera, tendo antes visitado, em Tibar, o Centro Nacional de Emprego e
Formação Profissional, projecto em que Portugal já investiu 3,5 milhões
de euros desde 2001.
Este projecto garantiu já a formação de centenas de timorenses em
carpintaria, electricidade, canalização, alvenaria e direcção de obras.
Depois, em Gleno, no distrito de Ermera, Jorge Sampaio visitará duas
escolas do ensino secundário.
Na primeira, a Escola Rui Nabeiro, Jorge Sampaio plantará um pé de
sândalo, no âmbito de uma iniciativa pedagógica apoiada pela Missão
Agrícola Portuguesa em Timor-Leste, enquanto na segunda, a Escola 10 de
Abril de 1999, o presidente manterá um encontro com os alunos.
Esta escola, à semelhança de outras 11, vai passar a beneficiar de
acesso à Internet, resultado de uma parceria entre a Portugal Telecom,
Timor Telecom, governo timorense e entidades da sociedade civil, como as
dioceses de Díli e Baucau, que será posteriormente alargada às 1.000
escolas existentes nos 13 distritos de Timor-Leste.
A partida de Díli está marcada para depois de uma recepção à comunidade
portuguesa residente na capital timorense.
A comitiva segue posteriormente para Darwin, norte da Austrália, a bordo
do avião C-130 da Força Aérea Portuguesa, com a chegada a Lisboa, em voo
comercial, marcada para 27 de Fevereiro.
EL.
Lusa/Fim
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12:12 AM
23-02-2006 9:07:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7764879
Gleno, Timor-Leste, 23 Fev (Lusa) - Centenas de estudantes vitoriaram
hoje Jorge Sampaio à sua chegada a Gleno, no distrito de Ermera, na que
foi a primeira deslocação do presidente português ao interior do país,
que visita pela terceira vez.
Esse facto foi destacado por Jorge Sampaio na sua intervenção perante
uma plateia formada por mais de mil estudantes da Escola 10 de Abril de
1999, ao afirmar que percebia por que razões puderam os guerrilheiros
resistir tanto tempo ao ocupante indonésio.
A escola foi buscar a designação à data em que dois estudantes de Gleno
foram assassinados pela milícia pró-indonésia Dahran Mera (Sangue
Vermelho). A escolha do nome visou homenagear as vítimas.
A inclusão deste estabelecimento de ensino no programa da visita oficial
de Jorge Sampaio a Timor-Leste, que termina hoje à noite, justificou-se
ainda pelo facto de ser uma das escolas integradas no projecto
Net-Escola.
Esta escola, à semelhança de outras 11, vai passar a beneficiar de
acesso à Internet, resultado de uma parceria entre a Portugal Telecom,
Timor Telecom, governo timorense e entidades da sociedade civil, como as
dioceses de Díli e Baucau, que será posteriormente alargada às 1.000
escolas existentes nos 13 distritos de Timor-Leste.
Jorge Sampaio, que foi acompanhado nesta deslocação ao interior pelo
ministro da Presidência do Conselho de Ministros Antoninho Bianco,
recebeu cumprimentos à chegada do secretário de Estado para a
Coordenação da Região III, Egídio de Jesus.
Este governante destacou a importância do português, sintetizando que o
importante é praticar a língua de Camões.
"Fala mal ou fala bem, falamos em língua portuguesa todos os dias",
vincou.
Egídio de Jesus referiu-se depois ao sucessor de Jorge Sampaio em Belém,
fazendo votos para que "Cavaco Silva prossiga o trabalho de apoio a
Timor-Leste desenvolvido pelo presidente Jorge Sampaio".
Referências elogiosas a Durão Barroso e António Guterres foram
igualmente feitas pelo secretário de Estado.
No final da cerimónia, Jorge Sampaio foi surpreendido com a apresentação
de uma gramática portuguesa, de F. J. Martins Sequeira, adoptada como
livro único em 1938, que lhe pertencia e que foi enviada para
Timor-Leste pela Presidência da República.
Quando lhe apresentaram o livro, Sampaio disse logo reconhecer a letra
da mãe, porque na capa estava um autocolante que tinha escrito
"Gramática Portuguesa".
"Reconheci de imediato que era a letra da minha mãe, porque a forma como
estava escrito, em maiúsculas, era a que era usada por ela", disse Jorge
Sampaio aos jornalistas.
Antes da ida à escola em Gleno, Sampaio visitou em Tibar o Centro
Nacional de Emprego e Formação Profissional, projecto apoiado desde 2001
pela cooperação portuguesa e que desde então já formou centenas de
timorenses em carpintaria, electricidade, canalização, alvenaria e
direcção de obras.
O apoio de Portugal neste Centro totaliza 3,5 milhões de euros desde
2001.
Seguiu-se depois uma paragem na aldeia de Fahite, no distrito de
Liquiçá, onde visitou a Escola Primária Nº 7 Rui Nabeiro, por ter sido
reconstruída e ser apoiada por aquele industrial português ligado à
comercialização e distribuição de cafés.
Nesta escola, Jorge Sampaio procedeu ao plantio de um pé de sândalo, no
âmbito de uma iniciativa pedagógica apoiada pela Missão Agrícola
Portuguesa em Timor-Leste.
A visita oficial de Jorge Sampaio termina hoje ao fim da tarde, com uma
recepção de amizade luso-timorense, em que estará presente o presidente
Xanana Gusmão.
EL.
Lusa/Fim
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12:11 AM
Recordar:
"Podemos tentar realizar a utopia em Timor-Leste" (*)
Entrevista com Sérgio Viera de Mello, administrador da ONU em Timor
"A desocupação dos jovens está na raiz da formação de ¿gangs¿ que atuam em Díli e Baucau, acha o administrador da ONU, Sérgio Vieira de Mello, numa entrevista concedida há poucos dias ao Público na sede da UNTAET, em Díli. A ONU, garante, apoiará a reintrodução da língua portuguesa, mas o inglês virá a ser a primeira língua estrangeira do país. O brasileiro encarregado por Kofi Annan de levar Timor à independência pensa que os portugueses andam excessivamente excitados com a perspectiva de o escudo vir a tornar-se a moeda nacional. E diz que nunca as Nações Unidas se abalançaram a uma tarefa como esta em Timor-Leste.
Público ¿ Na entrevista que o Público lhe fez em Outubro passado, em Nova Iorque, nas vésperas de chegar a Timor para desempenhar este cargo, disse que não podia, evidentemente, responder ainda a perguntas sobre a moeda e a língua a adotar, e qual o modelo de desenvolvimento. Comecemos pela primeira: qual será a moeda?
SÉRGIO VIEIRA DE MELLO ¿ A rupia indonésia existe, é uma realidade e vai permanecer como moeda corrente. Por quanto tempo, o mercado determinará. Como moeda oficial, estrangeira, convertível, temos quatro opções: dólar americano, dólar australiano, dólar de Singapura e o escudo português (a ordem aqui não tem significado). Todas têm as mesmas características: são convertíveis, fortes e credíveis internacionalmente. A decisão será relativamente fácil do ponto de vista técnico, mas difícil do ponto de vista político. Será tomada pelo Conselho Consultivo [CC], espero, em meados deste mês, porque não podemos protelá-la mais.
P. ¿ Mas há uma decisão já tomada, pelo menos informalmente. Há semanas, na inauguração de um armazém, o presidente Xanana explicou o apoio dado pelo CNRT [Conselho Nacional da Resistência Timorense] àquele tipo de loja porque pretendiam fazer com que os comerciantes começassem a intervir no mercado, em ordem a baixar-se os preços e possibilitar-se compras em dinheiro português. Mas a verdade é que o escudo continua a não ser corrente, e a rupia, como disse, continua a impor-se, parece que contra a vontade política do CNRT.
R. ¿ Eu não acredito que a sua análise esteja inteiramente correta. A rupia não se está a impor. Continua simplesmente desempenhando o papel que desempenhava antes, porque o povo está acostumado. Isso não quer dizer que aos poucos não possamos introduzir outra. A administração civil das Nações Unidas em Timor precisa de uma moeda oficial. O nosso orçamento deve ser calculado numa moeda forte. Vamos ter de optar rapidamente por uma destas quatro moedas e a meu ver as mais prováveis são o dólar americano e o escudo português. Quando falamos de escudo português, falamos de euro e portanto o Banco Central Europeu também terá uma opinião. Acredito que exista lá disponibilidade e flexibilidade. Mas, repito, é uma decisão que eu gostaria que os timorenses tomassem.
P. ¿ Alguns timorenses dizem que talvez a dificuldade de fazer passar a mensagem sobre esta opção se deverá a não estar instalado ainda um sistema de comunicação social. O que é que a UNTAET [Administração Transitória das Nações Unidas para Timor-Leste] pode fazer e não fez ainda?
R. ¿ Está a fazer-me duas perguntas numa só. Em primeiro lugar, não acredito que seja apenas um problema de comunicação social. Porque seria preciso primeiro que uma decisão fosse tomada para que depois fosse comunicada à sociedade. E, que eu saiba, a decisão não foi ainda tomada, pelo menos no Conselho Consultivo, que é soberano nessa e em muitas outras matérias. Em segundo lugar, não é apenas uma questão de comunicação social: é preciso uma estrutura financeira e bancária, que não temos ainda. Não se pode varrer a rupia indonésia com uma varinha mágica e resolver, da noite para o dia, que o escudo, o dólar americano ou qualquer outra moeda estrangeira será, a partir daquele dia, a nova moeda oficial. Repito: o povo aqui está acostumado ao uso da rupia, não detecto qualquer antipatia popular em relação a essa moeda. Estivemos recentemente em Jacarta com colegas do Fundo Monetário Internacional a discutir com o Banco Central indonésio formas de ajuda, enquanto a rupia for de fato a moeda corrente. E no dia em que resolvermos recolher a rupia, se algum dia o fizermos, precisaremos da cooperação total do Banco Central indonésio. Se não, o que fazer com notas no valor de cento e tantos milhões de dólares (estimativa do FMI)?
P. ¿ Quanto à difusão da informação...
R. ¿ Estamos a fazer muitas coisas, só que não são ainda palpáveis. Já temos a nossa rádio. Não abrange o território inteiro, mas temos acordos com rádios locais que retransmitem as mensagens durante certas horas. Estamos a trabalhar para criar uma imprensa livre e democrática. Esta parece-me uma prioridade absoluta, para os timorenses terem a sua própria voz e nós tentarmos veicular a nossa mensagem por seu intermédio, não o contrário, que está acontecendo atualmente. Tudo isso está em gestação. Gostaríamos também de oferecer imagens, com um ou mais canais de televisão, mas isso já requer uma sofisticação tecnológica de que ainda não dispomos.
Apoiaremos o português se os timorenses o escolherem
P. ¿ Há uma iniciativa para retomar a publicação do jornal diário ¿Suara Timor Timur¿ (STT). A UNTAET vai apoiar a iniciativa dos jornalistas?
R. ¿ Com certeza. É uma das nossas prioridades. Fizemos o mesmo no Kosovo e antes na Bósnia. Mas não queremos que haja apenas um jornal em Timor. Queremos pluralidade.
P. ¿ Quanto à língua?
R. ¿ É uma história mais complicada do que a moeda.
P. ¿ Pensava que era o contrário...
R. ¿ Não, a moeda é, no fundo, um assunto técnico. Não compreendo bem por que é que há tanto interesse, emoção, excitação com este tema. Se for o dólar americano, acho que os portugueses não deviam ficar decepcionados, e vice-versa. Agora a língua é outra história...
P. ¿ Serão os timorenses que ficarão decepcionados. Pelo menos os timorenses da liderança política ficarão decepcionados se forem obrigados a continuar com a rupia.
R. ¿ Certamente que não vão ter de continuar com a rupia. Mas eu acho que vocês portugueses estão mais excitados com o tema da moeda do que os timorenses. Enfim. A língua responde a várias necessidades ¿ histórica, cultural, psicológica e também educacional, pensando no futuro. Essa é outra decisão que o CC vai ter de tomar. Em última análise, a administração das Nações Unidas podia decidir que a moeda de Timor será o escudo português, ou o dólar americano, ou o dólar australiano. Com base em critérios puramente objetivos, técnicos e com base em conselhos do FMI. A língua não. Essa sim deve ser uma decisão exclusiva dos timorenses.
P. ¿ Que parecem já tê-la tomado, a fazermos fé nas intervenções públicas de Xanana Gusmão, de Ramos-Horta...
R. ¿ Exatamente. Mas eu quero que eles tomem a decisão no âmbito do Conselho Consultivo. O bahasa desempenhou o seu papel durante 24 anos, continua a desempenhá-lo, e, mais até do que a moeda, a gente não pode varrer uma língua da noite para o dia. Não é culpa dos timorenses que nasceram nesta época e que tiveram de aprender o bahasa. Além do bahasa, só conhecem o tétum. Temos de permitir uma certa coabitação linguística em Timor, incluindo o bahasa. Não nos esqueçamos tão-pouco que há à volta de seis mil estudantes timorenses que continuam em universidades e institutos na Indonésia, e que quando voltarem não vão poder converter-se a outra língua de imediato. Fala-se também muito no inglês. A meu ver, o inglês vai-se tornar em Timor o que ele é na maioria dos outros países: a primeira língua estrangeira, a língua franca do mundo contemporâneo. Não o devemos desincentivar, reprimir ou limitar de qualquer forma. Restam portanto o tétum e o português. O tétum não parece ter adquirido ainda as características de uma língua no sentido próprio da palavra (com a sua sintaxe, vocabulário e gramática elaborados) e por isso não parece ser a solução a curto e a médio prazos. Resta o português. Se essa for a opção dos timorenses, daremos todo o apoio para que ele possa ser reintroduzido aos poucos e tornar-se a língua oficial deste país. Mas repito: tem de haver uma decisão dos timorenses, saída das deliberações do Conselho Consultivo. Espero que possamos incluir este item na próxima sessão, marcada para os dias 13 e 14...
P. ¿ Já com Abílio Araújo [o antigo líder da Fretilin, que apoiou a autonomia]?
R. ¿ Espero que já com Abílio Araújo e, quem sabe até, com um representante do FDPK.
Jamais a ONU administrou um território assim
P. ¿ Olhando para Timor, parece que há uma animação no setor da restauração e de ¿rent a car¿ (por australianos), mas o resto está parado.
R. ¿ Está parado porque o senhor não vê além do imediato. Está vendo a realidade e a realidade, reconheço, dá essa impressão. Um dos resultados da Conferência de Tóquio (em 18 de Dezembro) foi o apoio financeiro que recebemos. Não teríamos conseguido 522 milhões de dólares [102,3 milhões de contos] para os próximos três anos se não tivéssemos apresentado o Apelo Humanitário (de Outubro, coordenado pelo meu escritório em Nova Iorque); o Plano de Reconstrução e de Desenvolvimento (formulado durante a missão de avaliação liderada pelo Banco Mundial, que aqui esteve em Outubro/Novembro, e que fez um excelente trabalho); e se não tivéssemos apresentado à última hora (tivemos de o preparar em poucos dias) um orçamento para a Administração Pública de Timor, no valor de 30 milhões de dólares para o ano 2000. Jamais uma operação das Nações Unidas tinha apresentado um orçamento tão elaborado para a sua administração de um território (porque jamais tínhamos administrado um território como administraremos Timor). O que quero dizer é que não haverá reativação econômica sem atividades de tipo emergencial, reabilitação, reconstrução e de desenvolvimento econômico, além da injeção de fundos da própria Administração Pública. Esta, logo após a reunião de 14, espero, começará a recrutar novos funcionários. E serão milhares...
P. ¿ Não tantos como os que havia antes...
R. ¿ Certamente que não. Havia 28 mil. A recomendação do Banco Mundial e do FMI é que baixassem para 12.203. No debate que tivemos no Conselho Consultivo resolvemos que não imporíamos limite arbitrário ao número total, mas pediríamos a uma comissão técnica que avaliasse as necessidades em cada setor.
P. ¿ Resolve-se um problema (recomeça a Administração Pública), mas cria-se outro, o desemprego.
R. ¿ Não. Vamos começar a recrutar milhares de funcionários públicos que passarão a contribuir para a reativação da economia através da sua remuneração regular. Vamos precisar da produção local para equipar a Administração Pública e isso também vai gerar emprego. Mas é principalmente nas áreas de emergência, reabilitação e reconstrução, além dos projectos de desenvolvimento a mais longo prazo (e que não serão prioritários) que nós vamos criar um mercado de trabalho. Temos dois fundos especiais: o nosso, para a Admnistração de Timor; e o do Banco Mundial, para todas as atividades de reconstrução e desenvolvimento. Tudo isto vai acontecer aos poucos, nas próximas semanas e meses. Vai ver que a economia será reativada. Estas coisas não acontecem por magia.
Desemprego na origem dos conflitos em Díli e Baucau
P. ¿ Psicologicamente, as populações (não só os observadores) precisam de sinais. Por exemplo, a abertura do aeroporto (no dia 2 de Janeiro) foi um sinal importante e por isso os senhores lhe deram grande relevo. Se houvesse uma casa que fosse erguida; uma ponte que fosse construída; uma estrada reconstruída, isso seria sinal de que as coisas estavam a avançar. Ora, parece que tudo está lento porque nenhuma coisa visível foi já feita.
R. ¿ Provavelmente tem razão. Houve uma certa lentidão no mês de Dezembro, devido a fatores bem conhecidos, como a distância, os custos, a logística. Timor é um país remoto. Não estamos nos Balcãs. Não posso mandar comprar 30 mil toneladas de materiais de construção na Macedónia ou na vizinha Itália. Posso na Austrália, mas a um preço altíssimo, em comparação com o mercado indonésio, e este não pode suprir todas as nossas necessidades. Também sofremos o fenômeno humano compreensível ¿ poucas coisas funcionaram em Dezembro por causa das festas. Isso atrapalhou muito em todas as áreas. Mas vai começar a ver essas realizações palpáveis, tangíveis, a partir de agora: vários edifícios públicos importantíssimos para a Administração vão ser recuperados e renovados, a começar pelo Palácio do Governo, e tudo isso vai gerar emprego. O que mais me preocupa agora não é a ausência de resultados concretos do nosso trabalho, é não haver emprego. Os incidentes que se vêm produzindo em Díli e em Baucau (os dois maiores centros urbanos) são devidos à falta de trabalho: gente que não tem nada que fazer vai brigar ou vai-se embebedar com o pouco dinheiro que lhe sobra. Garanto-lhe que essas primeiras realizações tornar-se-ão visíveis nas próximas semanas.
P. ¿ O que é que representa para si, nos vários planos, este trabalho em Timor?
R. ¿ Esta é provavelmente das missões mais importantes e gratificantes encomendadas às Nações Unidas. Vejo nela o encerramento do ciclo da descolonização. É um ponto muito importante na história da nossa organização. Raros foram os elogios pelo que ela realizou nesse campo. Espero que Timor seja um êxito. Será esta talvez a conclusão deste longo ciclo iniciado no final dos anos 50. A título mais pessoal: é um grande desafio. Nunca anteriormente a ONU teve esta responsabilidade global em termos executivos, legislativos, judiciais e militares. Isso também cria um sentido de dever e responsabilidade únicos. Há duas faces desta moeda: podemos tentar realizar a utopia em Timor; construir um país verdadeiramente democrático, um Estado de direito onde sejam respeitados todos os direitos humanos, não só os cívicos e políticos mas também os econômicos e sociais, criar uma sociedade tolerante, realizar tudo aquilo que temos pregado pelo mundo afora estas últimas décadas. A outra face da moeda poderia ser uma administração autoritária, soberba, que impusesse do exterior soluções alheias aos costumes, aos anseios da população, e esse perigo mete-me muito receio. Um receio útil porque me dá consciência diária de tudo aquilo que se deve evitar, de tudo aquilo que temos de tentar para realizar a utopia. É o peso dessa responsabilidade que às vezes é difícil carregar. Acho que a organização está madura para esse papel. Posso contar com excelentes colegas (alguns vão chegar nos próximos dias) e contar com a parceria de pessoas como Xanana, José Ramos-Horta e muitos outros do CNRT e certamente dos outros partidos que ainda não pertencem ao CNRT.
P. ¿ Também já se sente um timorense?
R. ¿ Eu acho que todo o brasileiro se sente timorense por definição e por natureza. Como vocês."
(*) Copyright Público, Lisboa, 13/1/00
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12:11 AM
Díli, 22 Fev (Lusa) - Portugal e Timor-Leste assinaram hoje em Díli um
protocolo que prevê a extensão do sinal de rádio e televisão a todo o
país, uma iniciativa financiada na totalidade pela Cooperação Portuguesa
e que orça em 1,2 milhões de euros.
O documento prevê que Portugal garanta o fornecimento dos meios técnicos
para levar o sinal aos 13 distritos de Timor-Leste, enquanto ao lado
timorense cabe a concessão de facilidades alfandegárias e de acesso aos
terrenos, realização de obras e garantia de abastecimento de energia.
O documento foi assinado pelo secretário de Estado dos Negócios
Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, João Gomes Cravinho, e pelo
ministro da Presidência do Conselho de Ministros de Timor-Leste,
Antoninho Bianco.
Em declarações à Lusa, João Gomes Cravinho manifestou-se muito
satisfeito com a assinatura do protocolo, que disse estar a ser
trabalhado há vários meses e cuja assinatura foi reservada para a visita
oficial em curso do presidente Jorge Sampaio a Timor-Leste.
"Trata-se de um projecto que terá grande impacto no país, que assegurará
a divulgação da língua portuguesa e ajudará a consolidar a unidade
nacional", salientou.
O prazo de concretização do projecto é de 12 meses.
João Gomes Cravinho acrescentou que, dentro de "poucas semanas", a RTP e
a Rádio e Televisão de Timor-Leste assinam em Lisboa o protocolo que
"estabelece as modalidades de natureza técnica".
A assinatura do documento foi feita no início da conferência sobre
desenvolvimento e oportunidades de investimento em Timor-Leste,
destinada aos empresários que acompanham Jorge Sampaio na visita oficial
que está a realizar a Timor-Leste.
EL.
Lusa/Fim
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12:09 AM
22-02-2006 11:17:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7761398
Díli, 22 Fev (Lusa) - O magnata dos casinos de Macau, Stanley Ho, está
interessado em reforçar os seus investimentos na área do turismo em
Timor-Leste, anunciou hoje em Díli o primeiro-ministro Mari Alkatiri.
"Tivemos oportunidade de falar e parece que ele sai daqui com algum
entusiasmo. Quer investir fundamentalmente na área do turismo",
precisou.
Questionado sobre a eventualidade de Stanley Ho diversificar os
investimentos ao sector dos transportes, Mari Alkatiri salientou que "a
primeira prioridade é o turismo. Os transportes vêm a seguir".
Mari Alkatiri falava à imprensa no final da intervenção que fez na
abertura numa conferência organizada pelas autoridades timorenses sobre
oportunidades de investimento no país em que um dos participantes foi
Stanley Ho, que chegou terça-feira a Díli, onde não vinha desde 1974.
A Lusa apurou que Stanley Ho está interessado em reforçar os seus
investimentos na construção de um hotel na ilha de Ataúro, situada
defronte de Díli.
A Fundação Oriente, de que é um dos Curadores, é a proprietária do Hotel
Timor, cuja construção se iniciou e 1973 e que somente ficou concluído
já durante a ocupação indonésia, tendo sido então baptizado como Hotel
Makota.
Queimado na sequência dos acontecimentos de 1999, Makota, foi recuperado
pela Fundação Oriente e adoptou finalmente o nome original em 2002,
quando foi inaugurado para acolher os convidados à cerimónia de
restauração da independência.
Instado a comentar a eventualidade de Timor-Leste vir a ter em breve um
casino, face à intenção de Stanley Ho em construir um hotel em Ataúro,
Mari Alkatiri salientou ser necessário efectuar primeiro uma "consulta
ampla" à sociedade timorense.
"Teremos que fazer primeiro uma consulta ampla a toda a sociedade. Como
sabem, Timor-Leste é uma sociedade bastante religiosa, fundamentalmente
católica. Eu penso que o campo está aberto, mas nós teremos que gerir
esta situação com um certo cuidado", respondeu.
EL.
Lusa/Fim
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12:08 AM
22-02-2006 13:30:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7761958
Díli, 22 Fev (Lusa) - As centenas de alunos da Escola Portuguesa de Díli
(EPD) acolheram em ambiente de festa Jorge Sampaio na visita que o
presidente português hoje efectuou àquele estabelecimento de ensino,
acompanhado do seu homólogo timorense Xanana Gusmão.
Danças e cantares deram a Jorge Sampaio e comitiva o primeiro banho de
multidão na visita oficial de três dias a Timor-Leste.
Depois de durante a manhã ter dedicado este segundo dia de estada em
Timor-Leste a uma aula de Ciência Política, nos contactos que manteve
num seminário com dirigentes políticos e depois com estudantes da
Universidade Nacional de Timor-Leste, Sampaio iniciou a parte da tarde a
homenagear a resistência timorense e as vítimas da ocupação indonésia.
O primeiro acto do programa da parte da tarde foi uma visita guiada por
Xanana Gusmão ao Arquivo e Museu da Resistência Timorense, uma
iniciativa resultante de colaborações voluntárias e preenchido com
documentos, memórias escritas e orais da luta contra a ocupação
indonésia.
Inaugurado em 07 de Dezembro de 2005, o AMRT conta já com cerca de 12
mil documentos digitalizados, bem como abundantes testemunhos materiais,
como armas, rádios de transmissões, bandeiras e material diverso, no seu
espólio.
Em seguida, as comitivas dos dois presidentes, acompanhados das
respectivas mulheres, Maria José Ritta e Kirsty Sword-Gusmão,
dirigiram-se para o cemitério de Santa Cruz, palco em 12 de Novembro de
1991 de um massacre perpetrado pelas forças de ocupação indonésias.
Depois de ter depositado uma coroa de flores no interior da pequena
capela que domina a parte central do cemitério, Jorge Sampaio e Xanana
Gusmão dirigiram-se a pé para a EPD, ladeados por muitos populares,
empunhando bandeiras de Portugal e de Timor-Leste e que davam vivas a
Jorge Sampaio e Portugal.
Mas foi à chegada à EPD que o entusiasmo foi maior.
Centenas de crianças, muitas acompanhadas dos pais, e professores
portugueses colocados em Timor-Leste, deram as boas-vindas a Jorge
Sampaio, acolhendo-o de braços abertos e participando na festa que se
seguiu.
A festa constituiu na apresentação de danças e cantares pelos alunos,
que interpretaram ainda os hinos dos dois países.
Na ocasião, Jorge Sampaio condecorou o director da EPD e adido de
cooperação da embaixada de Portugal, José Revez, com o grau de
Comendador da Ordem do Mérito.
No final da festa, Jorge Sampaio, acompanhado do secretário de Estado
dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho,
reuniu-se com os professores portugueses colocados em Timor-Leste, a
quem saudou e felicitou pelo trabalho desenvolvido nos 13 distritos do
país em prol da promoção da língua portuguesa.
Um jantar em casa do embaixador de Portugal, João Ramos Pinto, em honra
do presidente Xanana Gusmão, encerrou o segundo dia da visita oficial de
Jorge Sampaio.
EL.
Lusa/Fim
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12:08 AM
21-02-2006 16:06:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7759143
Díli, 21 Fev (Lusa) - Jorge Sampaio condecora quarta-feira, segundo dia
da sua visita oficial de três dias a Timor-Leste, o primeiro-ministro
Mari Alkatiri com a Grã-Cruz da Ordem do Infante.
A condecoração será entregue durante um almoço oferecido ao Presidente
de Portugal pelo chefe de Governo timorense e que antecede um seminário
com a participação de empresários portugueses, que integram a comitiva,
e que é organizado pelas autoridades timorenses.
O segundo dia começa com uma intervenção do chefe de Estado português
num outro seminário, este organizado pelo Presidente Xanana Gusmão,
sobre o desenvolvimento político em Timor-Leste.
Em seguida, Sampaio visita a Universidade Nacional de Timor- Leste
(UNTL) onde, além de condecorar o reitor Benjamim Corte-Real com a
medalha de Grande Oficial da Ordem do Mérito e de proferir uma
conferência, participa num debate com estudantes universitários.
à tarde, depois de visitar o Museu e Arquivo da Resistência e o
cemitério de Santa Cruz, onde deporá uma coroa de flores em homenagem às
vítimas da luta contra a ocupação indonésia, Jorge Sampaio dialogará com
os alunos da Escola Portuguesa de Díli, um estabelecimento de ensino não
integrado na rede pública de ensino timorense frequentado por cerca de
400 alunos e que abriu em Novembro de 2002.
A EPD goza de autonomia pedagógica e gestão, com professores destacados
de Portugal e outros contratados localmente.
O dia termina com uma entrevista de Jorge Sampaio e Xanana Gusmão à
Rádio e Televisão de Timor-Leste, com retransmissão na RTP e um jantar
em casa do embaixador de Portugal, João Ramos Pinto.
EL.
Lusa/Fim
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12:08 AM
21-02-2006 14:17:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7758690
Díli, 21 Fev (Lusa) - O presidente Jorge Sampaio condecorou hoje o seu
homólogo timorense, Xanana Gusmão, com o Grande Colar da Ordem do
Infante, entre outras razões, "pela forma exemplar como tem conduzido a
democracia em Timor-Leste".
A cerimónia decorreu em Lahane, no Palácio do Governador, como é
conhecido o edifício, recuperado pela Câmara municipal de Lisboa e pela
União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), onde durante a
administração portuguesa residia o principal representante do governo
português.
Na ocasião, Jorge Sampaio considerou que Timor-Leste enfrenta no plano
interno os principais desafios, designadamente o fortalecimento e
consolidação do Estado de Direito e, ao nível do desenvolvimento de uma
economia sustentável, a luta contra o desemprego.
Para o presidente português, importa evitar a "excessiva dependência"
dos recursos petrolíferos, considerando que o facto de a prazo se
perspectivarem "rendimentos elevados provenientes da exploração do
petróleo" representa uma oportunidade para o povo timorense, "com
determinação e sabedoria", os aproveitar "em prol do bem comum e do
desenvolvimento e coesão do país".
"Quero acreditar que os dirigentes timorenses, democraticamente eleitos,
não defraudarão as expectativas do seu povo e saberão estar à altura dos
desafios criados por esta circunstância excepcional", disse.
Relativamente ao papel que pondera estar reservado a Portugal no quadro
do relacionamento bilateral, Jorge Sampaio assegurou que os timorenses
"poderão sempre contar com Portugal no enorme repto que constitui a
consolidação do seu Estado, da estabilidade do seu regime democrático,
da sua boa governação, da sua sociedade civil e do desenvolvimento de
uma economia sustentável ao serviço do progresso e do bem-estar do povo
timorense".
Xanana Gusmão agradeceu a condecoração, salientando que a distinção
"reforça ainda mais as relações de amizade e cooperação" bilaterais.
"Este reconhecimento por parte do Estado português é algo que me enche
de orgulho e, acredito, é uma razão de orgulho para todo o povo
timorense", acrescentou.
No discurso que proferiu, o chefe de Estado timorense vincou que o apoio
prestado por Portugal desde a restauração da independência, a 20 de Maio
de 2002, "tem sido uma constante e de relevo fundamental" para garantir
a construção do Estado de Direito Democrático.
"A relação que mantemos com Portugal (...) constitui um dos pilares
estruturantes do futuro" de Timor-Leste" e um contributo decisivo é a
presença de professores portugueses, "com espírito quase missionário",
na reintrodução da língua portuguesa, assinalou.
Socorrendo-se do exemplo dado pelo Palácio onde decorreu a cerimónia,
Xanana Gusmão destacou que "construir tem sido o mote da presença
portuguesa" em Timor-Leste.
Dezenas de convidados, entre os quais o magnata dos casinos de Macau
Stanley Ho, compareceram na cerimónia.
Stanley Ho chegou hoje a Timor-Leste, que não visitava há 35 anos, para
participar numa conferência organizada pelas autoridades timorenses
sobre oportunidades de investimento no país.
Na iniciativa, organizada a pedido de Portugal no âmbito da visita
oficial do presidente Jorge Sampaio, foi anunciada pelo gabinete do
primeiro-ministro Mari Alkatiri a presença de Carlos Monjardino, da
Fundação Oriente, Fernando Gomes, da GALP Energia, Rui Nabeiro, dos
cafés Delta, Álvaro Roquete, da Portugal Telecom, Rui Palma, da Edinfor,
João Correia Pinto, da Caixa Geral de Depósitos, e António Couto, da
ENSUL.
EL.
Lusa/Fim
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12:08 AM
21-02-2006 6:34:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7757503
Eduardo Lobão, da Agência Lusa Díli, 21 Fev (Lusa) - A crise militar em
Timor-Leste, desencadeada a 08 de Fevereiro, com o abandono de cerca de
25 por cento dos efectivos dos quartéis, está a marcar o primeiro dia da
visita oficial de Jorge Sampaio ao país.
A revelação da "auto-exclusão" de 350 efectivos dos cerca de 1.800
militares que compõem as Falintil-Forças de Defesa de Timor- Leste
(F-FDTL) foi feita à Lusa pelo comandante do Estado-Maior General,
general Taur Matan Ruak, pouco antes da chegada do presidente Jorge
Sampaio para uma visita à Base Naval de Hera.
Jorge Sampaio, que hoje iniciou uma visita de três dias a Timor- Leste,
a última do seu segundo mandato presidencial, tinha inicialmente
previsto deslocar-se ao Centro de Instrução Militar da F- FDTL, em
Metinaro, a 40 quilómetros de Díli.
No entanto, devido à crise militar, o programa foi alterado com a visita
a Hera, que dista 15 quilómetros da capital.
Fontes castrenses timorenses contactadas pela Lusa reconheceram que o
abandono dos 350 efectivos constitui um "problema delicado".
As mesmas fontes acrescentaram que foi concedido um prazo de 24 horas
para que os militares que protagonizaram o acto de indisciplina de 08 de
Fevereiro regressassem à instituição, "mas como eles não voltaram,
significa que se puseram de fora".
"Constitui um problema delicado e o momento em que o fazem é também
delicado, por ter obrigado a alterar o programa da visita de um chefe de
Estado, mas pode também ajudar a reforçar a coesão interna das F-FDTL",
anuíram as fontes.
Ao contrário da Polícia Nacional de Timor-Leste, as F-FDTL não dispõem
de Regulamento de Disc |